jueves 2 de febrero de 2012

Era isso?


O amor não acaba,
Acontece que aparece o desencanto,
A mesmice e o tempo.
O frio colosal que sucumbe qualquer sentimento
Aplastándo-o e deixando-o moribundo
Sozinho
Distante
Indiferente.
Junto com isso
Surge a pergunta do poeta:
Era isso. Era isso mais nada era só o bater de uma porta fechada?

viernes 20 de enero de 2012

De predios e outras coisas.


O calor que há fora não é tão alto, mas, caramba! cómo o sol queima.
Andando pelas ruas amarelas, dispus-me a ir à Catedral para orar, pensar e expor minha alma ao Eterno. Tenho o costume de refugiar-me no templo católico, qual oasis no meio do deserto. Ele é fresco  numa cidade quente, é silencioso numa urbe barulhenta, convida á reflexão enquanto o comercio exacerba o supérfluo.
À medida que vou fazendo estas comparações, comprovo que é isso mesmo que a Igreja Invisivel (as maiúsculas são propositais) deve ser: um paradoxo total do mundo que a rodeia e da religiosidade em si. Um lugar acolhedor , abrigador; uma comunidade que protege, alberga, convida.
Porém, olho ao meu redor e cada individuo por separado me faz esquecer a Igreja e mostra-me a igreja. Comprovo uma vez mais, junto ao meu amigo Petit que o essencial é invisível aos olhos, que a Igreja somos nós; e que não é em Jerusalém ou Gerizim onde se produz a verdadeira adoração, pois ela vem do coração, totalmente imaterial, produzida por e em Cristo, a pedra angular. Mas a pedra angular é invisível.
Enquanto olho este grande templo de cimento, o jovem que está a minha frente beija seu rosário. O velho do costado esquerdo faz o sinal da cruz. A turista da outra esquina  (esquina na catedral cônica? rsrs) tira fotos, lá encima a intensidade do ventilador aumenta, e minha caneta já tem cumprido sua missão.
Minha alma aliviou-se, o trabalho tem sido feito, as preces já foram pronunciadas. Agora vem a pior parte de todas: esperar.

jueves 12 de enero de 2012

De janelas e outras coisas


Olhar hoje pela janela, transporta-me 4 mil quilômetros de distancia. Um frio dia de janeiro me traz não só esse gélido ar outonal, sena também aquele conhecido – porém olvidado – gelo  no coração.
Os dias frios nos fazem ser mais sensíveis, aletargados, nos fazem conectar com o lado cinza e natural da vida. E é aqui onde as confissões se fazem mais patentes.
Se de confessar se tratasse, teria que confessar que me sinto livre de muitas coisas: do dever obrigado para com os outros, em detrimento da minha própria vontade e prazer, do peso de responder a certas expectativas, da resignação, do “politicamente correto”. Faz tanto tempo que não fazia o que realmente queria!. Faz tanto tempo que não compartilhava minha opinião com tudo mundo e não somente com as pessoas mais chegadas!. Aí eu percebo  cómo o sistema nos impõe peso e estrutura que nos inibe de certas realizações e comunicação. E quando digo “sistema”, refiro-me a tuda estrutura social: quer seja política, religiosa etc.
Contudo, enquanto me sinto livre, também sinto-me desapaixonada pelas convicções de outrora; e isso me deixa numa corda em meio de um abismo. Oxalá Deus tenha uma cama elástica esteja me esperando lá embaixo, caso eu cair.
Sem embargo, apesar das dificuldades emocionais/axiomáticas;  é tão bom assimilar a vida com prazer, com liberdade não só na teoria, senão na prática, no dia a dia; ser menos radical (“menos”, não neutra)
Neste 2012 pressinto que será uma boa e nova etapa. Esperemos que os Maias não estejam certos e termina o mundo neste ano.
E enquanto a fina chuvinha - tão pequena e suave como meu ser - é percebida com dificuldade pela minha miopia e astigmatismo, os frios 19° tropicais me convidam a refletir, a respirar com calma, a não andar ansiosa, a olhar para Aquele que um dia olhou para mim, a restabelecer certos laços esquecidos, deixados no tédio do silencio e do ensimesmamento.

martes 17 de mayo de 2011

Segredos são tesouros


Um dos grandes acontecimentos dos últimos anos foi a tao mencionada captura e morte de Osama Bin Laden. O que mais chama minha atenção (fora do aspecto político) é como alguém consegue se esconder de todos os organismos de inteligência dos Estados Unidos e do mundo inteiro!. Faz algum tempo vi o filme ‘Rede de mentiras’, onde a grande estratégia dos muçulmanos (ou a grande virtude) era não se comportar de acordo com estes tempos. Explico-me: para comunicar-se entre eles não usavam internet, telefones; agiam “à antiga”, por isso era tão difícil encontrá-los com “meios modernos”. Por outro lado – em ocidente- não há duvida de que estamos numa época onde nossas vidas estão expostas a um click de distancia. Onde nós mesmos compartilhamos fotos, estados, pensamentos à ligeira, tragédias, comedias, etc. É a rapidez dos tempos que tocou-nos viver.

Porem, o que chama poderosamente minha atenção é que – ao igual que os árabes do filme – podemos conseguir manter segredos, coisas privadas. Isto é, o simples fato de dizer algo ao ouvido a outra pessoa é sublime!. Não há serviço de inteligência, observação satelital, microfones, nada!, nada pode se interpor entre um segredo dito ao ouvido. Isto me tem maravilhado de tal maneira que agora adoro certos segredinhos, coisas intimas, linguagem que só temos com certas pessoas, códigos entendíveis só entre alguns; pactos, segredos; coisas inigualáveis que existe, são reais, mas que por ser tão intimas transformam-se em um tesouro.

Meu desafio de hoje é apreciar mais os segredos e experiências da vida; essas coisas que com poucos se compartem, que quiçá para os outros não tenha muito valor, mas devido a sua relevância, irrepetibilidade e cumplicidade, transformam-se em grandes tesouros. Cuidemos nossos tesouros.

martes 3 de mayo de 2011

De justiça e segurança


Sem duvida nenhuma, o acontecimento do momento é a morte de Osama Bin Laden. Num segundo plano ficou a beatificação do Papa Joao Paulo II; embora o mandatário peruano Alan Garcia tenha feito uma mistura noticiosa esplendida ao afirmar que o primeiro milagre de Joao Paulo foi a captura e morte del líder de Al-Qaeda. Falta-me fé para isso; mas enfim.

O presidente Obama afirmou orgulhosamente que “justicia foi feita”. Concordo plenamente com isso, pois por longa que foi a espera, o terrorista pagou com a morte seu crime. O presidente também afirmou que “agora o mundo é um lugar mais seguro”; neste aspecto eu discordo.

Em primeiro lugar, acabou-se com uma pessoa, não com uma religião e/ou ideologia. Desde o ponto de vista ocidental, claro que é uma vitoria, mas desde o ponto de vista muçulmanos (e principalmente dos da Jihad) é uma vitoria; Osama é um mártir que continuará inspirando a jovens. Isto só dá mais força ao seu grupo do terror.

Em segundo lugar, não pode se acabar com uma ideologia e/ou religião. O cristianismo é um claro exemplo de que enquanto mais perseguiam e eliminavam a seus lideres; mas a religião crescia, até o ponto de ter que afirmar que “ a sangue dos mártires é a semente do Evangelho”. Algo similar passa com o islamismo da Jihad; a guerra santa continua, Al-Qaeda já tem um novo líder, que pelo que li é mais radical que o mesmo falhecido.

Justiça foi feita? Sim. É o mundo um lugar mais seguro? Certamente que não.

sábado 23 de abril de 2011

Rebelião cibernética


Os frios dias do fim do mundo me traem sempre à memória os fatos de outrora. Não do outrora ‘imediato’, senão do distante, remoto.

Dias em que não tinha note, nem internet; onde passava dias inteiros lendo livros de diferentes índoles. Era tão proveitoso esse tempo, onde a caneta e o papel eram meus únicos instrumentos, embora o frio dificultava (e dificulta) minha grafia. Confesso que tinha esquecido da minha letra!. Como isso tornou-se possível?

A internet, a pesar de ser muito boa, rouba-me horas e horas de precioso tempo que poderia dedicar à leitura, oração, escrita, estudo, família etc. Por isso, hoje de manha, depois de revisar meu mail, facebook, twitter, Orkut, blog, ler jornal chileno e brasileiro, ler blogs interessantes (caramba! Quanta coisa!), desliguei e voltei para meus antigos e sempre vigentes amigos.

Confesso que faz tempo venho sentido saudade de ler, de me dedicar a isso em lugar de ficar horas e horas no note; que por sinal me dá dor de cabeça. Então voltei de cheio para o que estou lendo, embora não seja uma leitura muito romântica para eu voltar (leio ‘Etica Protestante e o espírito capitalista’ Max Weber), penso que é um bom passo. De igual forma volto para meu velho violão, com quem já entoei e toquei as canções mais tristes e também as mais alegres.

Desde hoje só serei uma internauta matutina, reservada, moderada e com restrições.

Good luck!

jueves 21 de abril de 2011

Apologia generacional (o tempora, o mores)

Acabei de assistir um episodio dos Simpson, como todos os días; mas este foi muito singular. Homer e Marge contaram aos seus filhos uma escura historia das suas vidas, onde Marge vai à Universidade e se apaixona por seu professor de historia, enquanto Homer trabalhava para pagar seus estudos. Tudo acontece na época dos 90’.

Quando Homer descobre que Marge tem um caso com o culto professor, submerge-se numa depressão rebelde e cria uma banda de grunge, parodiando a Nirvana (muito engraçada porque Lenny imita a Krist Novoselic, contrabaixista da banda). Tudo o episodio me trouxe gratas ( e nem tanto) lembranças da minha adolescência. Naquele tempo eu não era crista, ou pelo menos estava ‘desviada’, assim que pude viver com maior “facilidade” (por usar um termo) tuda a mudança generacional da minha época.

No principio dos 90’ o Chile já havia recuperado a democracia, assim que a geração anterior nos entregou o país livre e pronto; aberto para fazer e experimentar as mudanças da “liberdade”. A luta parecia não ser mais contra o sistema, contra a ditadura (tenho meus prol e contras acerca dela); senão que se tornava uma luta interna: éramos uma geração sem luta, sem muito senso social. Os punks e hippies de outrora já não existiam, e alguns relutantes ainda gritavam com voz disfonica.

Nossa luta não se dava na rua, mas na mente; era algo mais intelectual, existencialista; vivíamos a filosofia do “nevermind”, como também da angustia existencial sartreana; ao que depois se sumaria os sons desgarradores do brit pop de Radiohead. Tudo isto tentávamos afogá-lo com estímulos sólidos e líquidos; etéreos e musicais. Também tive uma banda de punk, onde cada nota era um grito desesperado de uma vida absurda, sem esperança e sem Deus.

A pesar de ter vivido nesta época em que a internet era algo novo ( o filme ‘Definitely, maybe’ o retrata muito bem) e os celulares grandes, adoro minha geração. Admiro os 70’ e 80’ por sua riqueza musical; mas me encanta ter vivido a adolescência nos 90’. Sempre solemos dizer que nossa época é a melhor; e sim, é, porque nela vivemos intensamente, e porque fizemos parte (e fazemos) da historia que nos tocou viver.

miércoles 6 de abril de 2011

Surpresa!


Hoje fui convidada a visitar uma igreja. Tinha sido convidada antes, mas não havia ido por ser uma igreja com uma linha teológica que não comparto muito; a Igreja Pentecostal de Chile. Contudo, venci meus tontos preconceitos e fui. Confesso entrei à defensiva, devido as reservas que tenho com o estilo deles; mas entrei.

Chegamos, orei a Deus e começamos o culto. A liturgia iniciou-se com dos cânticos do hinário (com uma letra muito coerente, como a maioria deles - acaso todos). Logo dos cânticos, oramos; tudo numa absoluta reverencia. A oração foi de uns 5 minutos de joelhos. Quando nos levantamos cantamos mais um hino e passaram para os avisos, período no qual fomos saudadas como visitas, e recebemos expressões de carinho por estar entre eles; a maioria pessoas adultas e da terceira idade.

Eu esperava ansiosa o momento da mensagem, que é o momento mais importante para mim, e supresivamente para eles também, pois o tempo que lhe dedicam é notoriamente superior a todas as outras partes do culto, incluso o louvor.

Quem pregou foi o pastor, quem falava e modulava muito bem. Leu o texto de João 16.16-24 e falou do sofrimento de Cristo no calvário, fazendo alusão ao mês de abril que começa, no qual se celebra a morte e ressurreição de Cristo. O pastor sabia do que estava falando, pregou melhor que muitos pastores que conheço que fizeram seminários, embora não sei se o pastor pentecostal fez.

A mensagem, para minha surpresa, foi dentro da homiletica e totalmente bíblico e cristocentrico. Não lembro de quando não ouvia uma mensagem com essas características, esvaziada completamente de antropocentrismos, psicologia, modernismo e neopentecostalismo. A mensagem foi mais reformada que em muitas igrejas que levam o nome de Presbiterianas! ( com ou sem adereço). O culto foi tão ordenado, simples, tão ‘racional’ que qualquer presbiteriano, calvinista , ortodoxo, neo-ortodoxo teria se sentido à vontade dentro dele. As musica totalmente cristocentricas, sem o típico ‘eu, eu, eu’, ‘me dá, me dá, me dá’ que tem se inserido nas nossas igrejas.

Hoje me levei uma surpresa. A visita pentecostal quebrou meus preconceitos e me deu uma cacetada no rosto. E o mais importante; apresentei um culto agradável ao Senhor.

jueves 31 de marzo de 2011

A auto-guerra


Sempre temos ouvido dizer (sobretudo no ambiente pentecostal) que nossa luta é contra demônios, principados das regiões celestes e essas coisas, que rapidamente nos levam a um dualismo que pouco tem de bíblico e muito de filosofia grega. Para lutar contra o mal não é necessário miles de demônios e setas, senão que basta olhar para nós mesmos e ver a auto-luta constante que temos, ao estar cheios de imperfeições, pecados, ruindade. A lista de Romanos 1 é uma clara radiografia do que é o homem (Rm. 1.29-30): injusto, fornicario, perverso, avaro, mau, cheio de inveja, homicida, enganador e uma serie de perversidades que formam o coração humano.

Isto não é algo novo, pois lendo a Bíblia no meu devocional diário ( o quase diario, em honra à verdade) no livro dos Salmos notei algo novo e especial. Ontem foi a vez do Salmo 19, que –confesso- nunca tinha parado para meditar nele. O homem segundo o coração de Deus já dizia muito antes de Paulo como estava constituído o homem; sabia que ‘em pecado foi concebido’ (Sl. 51:5). Podemos observar mais profundamente este tema no Salmo 19:12-14, onde nos ensina a verdade de que

O pior demônio que devemos enfrentar está dentro de cada um

O texto nos mostra alguns vícios humanos, entre eles

1) A autocomplacência (v.12)

Se há algo que a gente nunca faria é julgar a nós mesmos. Acreditamos que somos perfeitos, que não erramos, e é muito difícil colocar a outra face ou admitir erros na vida. Temos como máxima ‘a seita sempre é a do outro’, e nós ortodoxos, e isto nos leva a não ter um relacionamento frutífero, e honrar a Deus neles. Uma das coisas mais dificies para o ser humano é admitir seus erros e pedir o perdão correspondente; seja culpável ou não.

E o salmista sabia disto. Sabia que na sua mente escurecida pelo pecado, julgava-se reto, mais ao mesmo tempo reconhecia que era assim. Sabia que era autocomplacente, e por isso pede ajuda ao Eterno.

‘livra-me dos (erros) ocultos’

O primeiro passo que o salmista nos ensina para não ser autocomplacentes é que devemos

a) Reconhecer que somos maus

O primeiro que ele começa admitindo é que as pessoas erram. Inclusive o mais notável dos reis de Israel, o homem segundo o coração de Deus se equivoca. Ele admite que não pode entender seus erros, porque para ele tudo parece correto, mas ainda assim sabe que erra. Reconhece sua maldade.

b) Ora por ajuda

‘Livra-me dos que me são ocultos’ é a oração de Davi. Há coisas que ele não via e há coisa que também nós não vemos, mas sabemos e reconhecemos que estão ali. Contra eles pouco podemos fazer porque estão ocultos a nossos olhos. Porem não estão ocultos aos olhos de Deus, é por isso que ele implora ao Eterno que o livre dos ocultos.

Da mesma forma devemos orar: livra-nos Senhor dos nossos erros, de agir em forma errada, livra-me da inveja, pleitos, iras, orgulho, etc. Livra-me!

2). Somos soberbos (v.13)

Tal como menciona Pablo em Romanos, Davi muitíssimo tempo antes, também conhecia quão soberbo é o ser humano. O salmista pede para ser mantido distante da soberba, porque sabe que ela corrompe o coração, distancia às pessoas e não glorifica a Deus. Ele implora para se manter longe e que ela não tome conta do seu coração.

Da mesma forma que Davi reconhece que o ser humano é soberbo, nós também devemos reconhecer nossa soberba, pois só reconhecendo-a é que Deus nos ajuda a vencê-la. Um dependente das drogas jamais as deixará até que não reconheça sua dependência; da mesma forma acontece com a soberba e o orgulho.

Deus, livra-nos da soberba e enche-nos de humildade. Ensina-nos a reconhecer nossos erros e a ser humildes.

Conclusão

O versículo 13 e 14 concluem dizendo que só sem autocomplacência e soberba podemos ser íntegros e não rebeldes.

Somente reconhecendo nossos erros ( e nao se orgulhando deles –‘sou assim e assim morrerei’), nossos ditos serão agradáveis diante de Jeová. Só assim nossa mente terá pensamentos de paz, nosso coração não terá imundícias.

Jeová, nosso redentor, é o que conhece nosso coração e é o único que nos pode ajudar a lutar contra nós mesmos. Antes de lutar contra demônios, vença sua autocomplacência e soberba, e mantenha uma atitude integra diante de Deus e dos homens. Esta é a única forma de exaltar e engrandecer a Deus diante do mundo, dando um bom testemunho.

Não seja autocomplacente

Não seja soberbo

Seja integro diante de Deus.

Ajude-nos Jesus.

Amém.

lunes 21 de marzo de 2011

Onde e quando

Disse-lhe Jesus: Mulher; crême que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai (João 4:21)

Ao som de ‘Vencedores por Cristo’

Confesso que este é um dos meus textos favoritos do Evangelho, e não só o texto, senão que o Evangelho joanino em si, tenho um relacionamento especial com ele; primeiro porque foi o texto que usei para fazer a primeira pregação na igreja, quando ainda não tinha estudos teológicos. E este mesmo texto foi utilizado para fazer meu primeiro sermão de prova no Seminário. Encanta-me este texto porque se pode observar a um Jesus sociável, mas não extrovertido, mestre, mas não demagogo nem sofista. Um Jesus metafórico, mas sincero ao mesmo tempo. Por isto a multidão que o escutava no monte (Mt. 7:29) concluiu que ele ‘os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas’

E é nesta mesma autoridade natural, simples, admirável que me faz refletir acerca de algumas questões importantes que o texto nos traz para nossos dias.

Conhecemos a historia dos samaritanos e judeus, porque inclusive o mesmo versículo 9 nos informa que os judeus não se comunicam com os samaritanos, devido aos problemas pos-exilicos que tiveram, já que os samaritanos surgiram da ‘mistura’ judia com os outros povos; pratica sumamente rejeitada pelo judaísmo. Outro fator importante aqui é que na época de Jesus era sumamente indecente que um homem falasse com uma mulher na rua,e sabendo a reputação que ela tinha, já poderão imaginar o escândalo que Jesus estava provocando num espaço publico, a plena luz do dia ( a hora sexta correspondia ao meio dia). Escandaliza inclusive a seus discípulos, mas eles calam. Calam porque sabem que o mestre é, de fato ‘o mestre’, que não erra, que quebra sempre os paradigmas, e com cada ato ensina uma verdade sublime, e revela algo mais sobre o Reino. Pois bem, primeiramente ensina que a verdade libertadora de Jesus derribas as barreiras, como as que eles tinham com os samaritanos.

A mulher tinha uma esperança, igual que os judeus, que era a vinda do Messias, que declararia todas as coisas. Porem, a samaritana tinha algumas duvidas, pois ela junto a seu povo adoravam em Gerizim, e os judeus em Jerusalém. Lembremos que os montes e os lugares sagrados têm muita importância para eles, pois ali se produz o ‘shekinah’. ‘Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar’ (v.20). Ela não sabia qual era o lugar verdadeiro para a adoração a Deus, mas Jesus vem a esclarecer suas duvidas. O verso 21 diz ‘mulher, crême que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorarei o Pai’. Jesus começa ensinando que dentro de pouco não estarão adorando nem aqui nem ali. O lugar físico não seria relevante para a adoração; não é Gerizim nem Jerusalém; ‘mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem’ (v.23). Jesus está abolindo completamente os lugares sagrados, e os está substituindo por um estado: ‘em espírito e em verdade’. E bem sabemos que Deus é Espírito e Cristo é a Verdade e a Vida. Desta forma, Cristo está substituindo um lugar por uma pessoa.

É só por meio de Cristo que a adoração é verdadeira. A adoração não está determinada por um espaço físico; não é num lugar, é a traves dEle. Não há outro meio, não há lugares sagrados; se Cristo está em mim, será um ‘aqui e agora’ permanente; aqui é o lugar e agora é a hora. Porem esta verdade libertadora tem sido esquecida pelo sistema eclesiástico atual. Hoje se confunde igreja com Reino de Deus; se acredita que ‘estar fora da igreja’ (como instituição, e pior ainda, como denominação) é estar fora da Igreja e do Reino.

O que mais me incomoda e indigna é que isto é ensinado aos fieis. Faltar ao culto é quase um pecado, é dar um passo atrás do Reino, é um ponto negativo na vida espiritual. Mas ao meditar nas Sagradas Escrituras tenho paz e sossego. Saber que posso adorar em espírito e em verdade me deixa tão feliz, me faz sentir tão próxima de Cristo, tão tranqüila ao saber que Ele me conduz a uma adoração verdadeira, onde o próprio Deus vê a presença de seu Filho na minha vida, sua redenção e justificação me mostram como santa perante Ele; e isso é viver em paz.

martes 15 de febrero de 2011

Minha doce tristeza

Minha doce tristeza chega sem avisar

E na realidade não precisa; já é de casa.

Minha doce tristeza rouba-me as palavras

E deixa-me monossílabos;

Submerge-me na taciturnidade.

Por ser doce, permite-me esboçar sorrisos languidos

Conformados, do ocaso.

Minha doce tristeza fere-me com algodoes,

Golpea-me com plácidos abraços

E transmite-me o calor do pôr-do-sol.

Meu natal e o presente


Como toda criança, desde pequena acreditei no Papai Noel. Sempre teve a esperança e expectação de vê-lo. Lembro que minha mãe sempre mandava-nos a comprar a meu irmão e a mim alguma coisa, num horário próximo à meia noite. Nós, ávidos, corríamos pela rua para não perdermos a visita do ancião e barbudo personagem. Mas como sempre, quando chegávamos ele ja havia ido embora; só os presentes ficavam como evidencia da sua presença em nossa casa.

Mas logo passou o inevitável: a vida. Crescemos e meu irmão mais velho sempre fazia burlas respeito ao velhinho dos presentes, até que aos meus 8 anos aprox. soube a crua realidade da boca do meu irmão: o papai Noel não existe.

Mostrou provas fieis e irrefutáveis da sua inexistência, às que não pude resistir, mas uma coisa interessante aconteceu: estava desiludida do velho, mas não do natal.

Embora soubesse que eram meus pais quem faziam tudo, continuei celebrando o natal com alegria e entusiasmo; ainda que pensar no velho levava-me nostalgicamente à mágica de outrora; isso em nada diminuía o encanto do natal.

Agora que sou adulta, tem me acontecido o mesmo, só que num aspecto diferente. Tenho perdido a mágica respeito a uma pessoa, mas continuo querendo-a. Fatos e circunstancias tem feito que mágica se vá, que o ceticismo me embargue qunado penso nele, contudo continuo querendo-o.

Ele é como o natal, e as circunstancias adversas como o mito do velho Noel: já na o olho como o ser ideal; mas continuo celebrando-o. És como meu natal; natal sem papai Noel.

martes 11 de enero de 2011

Facundo



No íbamos a hacer más compra esa tarde. Ya habíamos ocupado la cuota de consumismo diaria y estábamos cansadas. Pero de la nada surgieron unos seres amorosos y a un bajo costo. Eran peluches; peluches de segunda mano.

Con mucho ahínco entramos a la tienda, que por el olor se supe que no era la primera en tener todo lo que ahí estaba. Habían varios peluches; grandes, chicos, feos, bonitos, rasgados, enteros, muy simpáticos algunos, otros extraños, minusválidos, despreciados, olvidados.

Buscábamos los más tiernos y bonitos, aquellos que se encajaban con el básico, universal y casi tiránico concepto de belleza. Los buscamos rápido, como si fueran a huir de nosotras, como si no estuvieran desesperados por que los sacásemos luego de allí, del rincón de los ‘sin valor’, de la esquina de los ‘váyanse luego y déjennos aunque sea una mínima ganancia’. El que primero encontré fue un pulpo, me cayó bien, era reservado y conservador, pero con ideas locas y una personalidad definida. Seguí buscando en el saco de los olvidados, y de pronto aparece él. Facundo.

Facundo se presentaba en forma pequeña, estaba maltratado, sucio, de edad media, chascón; rendido en cierta medida a la suerte, manoseado, ignorado. La tristeza poco significaba para el, más bien estaba resignado; resignado y en silencio. Sin embargo, en su silencio el hacía honor a su nombre y se expresaba en forma clara, simple, transparente. No era necesario ver sus ojos (ocultos por su estropeado pelo) para saber quién era y qué sentía: Era el olvidado, el ignorado, el que no se encajaba en la rápida cultura actual, el pasado de moda, el rechazado, abandonado.

Su simpleza y ‘anti belleza’ fue lo que me encantó. Lo quise al instante, lo tomé y no lo solté mas; intentando brindarle calor, cariño, amistad.

Con mucho cariño lo traje a casa. Pienso que el hecho de traerlo conmigo no fue un acto de misericordia, sino de justicia. Ya no debía continuar ahí, no podía, pues se perdía entre los seres ordinarios, comunes, baratos, feos de alma.

Llegó anónimo y ahora es Facundo, el ‘elocuente’; el que se expresa claramente solo con ser, el que trascendió el burdo concepto tiránico de belleza y ternura. Ser es mejor que parecer, siempre lo ha sido y siempre lo será. Valió para Facundo; vale para nosotros.

domingo 14 de noviembre de 2010

A partida

Sim, vou embora. Não posso continuar perto de você estando tão longe, tão impossível. Ficarei longe, te deixo só, mas não estás só.

Sinto-o, não posso viver do passado, das impossibilidades, pois desta forma converto-me na ambigüidade entre os extremos, idealismo e racionalidade. Não mereço isso, você bem o sabe.

Então digo adeus. As palavras do passado não se anulam com minha partida, mas deves saber que não voltarei, não devo, não posso. Se quer pode vir,para sempre, mas eu não voltarei.

Este abandono é por mim, sinto frio e congelo-me.

Adeus meu amado. Que tenha uma boa via. Cuide da sua saúde, vá ao cardiologista, procure uma igreja para se congregar, desfrute seus futuros filhos, netos, vai saber!

Adeus.

viernes 3 de septiembre de 2010

Dose de convencimento


Esta é a primeira vez que teu nome aparece nas minhas folhas, folhas virtuais.

Por uma estranha (ou nem tanto) razão, teu nome tem se fixado na minha retina,

Teu rosto tem aparecido mais vezes no meu imaginário chilensis.

O que desejaria é contar-te tudo,

Mas antes disso devo me auto convencer de toda ação,

Devo estar completamente segura do que faço,

Para logo enfrentar o eventual erro com fidalguia.

A certeza elimina o arrependimento,

E dá a capacidade de não morrer no meio do sofrimento,

Nada melhor que o convencimento,

Ora para acertar, ora para errar.

Uma dose de convencimento,

Enquanto minha mente conversar com minha razão.

sábado 21 de agosto de 2010

De des/amores


Advertença: A poesia é composta por 4 versos que criam um estrofe. Isto é qualquer outra coisa.


Existem coisas sublimes,

Atos simples que estremecem a alma,

Que transportam a um “aqui e agora” permanente,

Que fazem esquecer o do ontem, o do amanha, do real.

Há coisas que se convertem em perfeitas,

Como um cantinho especial,

Onde nado ao redor desagrada,

A pesar de ter questionamentos eternos,

Enigmas impossíveis de decifrar.

Mas, a pesar de tudo,

Nada pode ser mais lindo que um cantinho,

Palavras,

Sorriso,

Silencio,

Suspiros internos,

Melancolia,

“recíprocas verdades”.

Enquanto a isso,

O desejo de expressar-me confunde minha redação,

E a minha mente vem o

Platônico

Utópico

Presente

Ausente

De ontem

De hoje.

Nunca tenho tido um premio de consolo tão doce,

Embora seja o primeiro que recebo;

Paradoxos... Afeto constante.

Sorte de quem possui o troféu completo, sem usufruir dos seus benefícios como deveria.

Tenho tido muitos amores,

Alguns como luzes,

Outros como satélites,

Mas outros como espelhos; espelhos da alma.

Tenho tido muitos amores, como falei

Só que o mais formoso foi meu amor pelos espelhos.

martes 22 de junio de 2010

Os animais e os homens

E colocou Adao nome a toda bestia e aves dos ceus e a todo animal do campo, mas para Adao não se encontrou ajuda idônea para ele (“...) e da costela que Jeová Deus pegou do homem, fez uma mulher e a trouxe ao homem” (Gn.2.20-22)

Faz um par de anos tenho notado um fato singular em nossa sociedade: a presencia significativa de animais no dia-a-dia das pessoas. Claro que eles sempre tem estado presente, pois fazem parte de natureza, e antes que a tecnologia nos cativasse e invadisse, eles nos ajudavam a nos transportar em carroças, cachorros para defender a casa, gatos para comer ratos, etc.

Agora vemos que aos animais, principalmente os domésticos, tem sido outorgado um status singular dentro da família, e por conseguinte, dentro da sociedade.

Primeiramente começou com o alimento para animais. Lembro que quando era criança nosso gato comia da comida que sobrava do dia. Comia pão seco ou, como grande banquete, molhado com leite. Animais dentro de casa era uma coisa de outro mundo! , ¡alimento para gatos nem pensar!, era algo alheio a nossa sociedade, mas aos poucos não somente o alimento para animais se impus, senão também as camas, a roupa, a medicina, a esterilização (isso parece-me bom) entre outras coisas. As pessoas a cada dia dão mais importância aos animais domésticos: cachorros e gatos passaram a ser um integrante mais da família. Quando chegamos a este ponto é que comecei me preocupar.

Tenho notado que os animais tem a mesma importância que as pessoas!. Não pretendo ser uma cruel com os animais, nem quero que Green Peace nem a Sociedade Protetora de Animais me crucifique, mas enquanto mais atenção damos aos animais, menos importância atribuímos aos seres humanos.

Por que digo isto? Porque na medida que as pessoas se aproximam dos animais, se distanciam das pessoas que a rodeiam. Parece que quem possui um animal de estimação espera ter um relacionamento com eles, e pensam que é uma questão recíproca; procuram no animal o que deveriam buscar no ser humano!. Isso é o que me parece terrível!.

O antigo ditado “Quanto mais conheço os homens mais admiro os cães” parece-me a mais clara e evidente sinal que o que digo é verdadeiro. Como é possível que substituamos pessoas por animais? Isso demonstra mais uma vez que o egoísmo e individualismo no qual as pessoas se aventuram. Aventura infeliz, devo dizê-lo.

Digo que é uma atitude egoísta buscar num animal um relacionamento que só é possível com pessoas pelo seguinte: um animal nunca vai te contradizer, nunca vai argumentar na tua contra, nunca mentir-te-á nem trairá; nunca deixará de te ouvir. Isso é o mais distante que pode existir de um relacionamento!, parece que o desejo de vivir, experimentar a existência, está sendo abandonado gradativamente. Ninguém quer sofrer pelas vicissitudes do amor, ninguém quer crescer com os similares, senão com pseudo papagaios que os comprazam e finjam um amor incondicional.

Preocupa-me que grupos de proteção de animais cresçam na mesma proporção em que os skinheads ou que os vagabundos que morrem nas ruas. Preocupa-me que animais recebam atenção medica, enquanto pessoas esperam anos para receber transplantes de órgãos (o Chile tem a taxa mais baixa de doadores de America Latina) de quê sensibilidade estamos falando? É apenas uma falsa bondade, uma sensibilidade disfarçada de egoísmo e abstração.

Preocupa-me que os cachorros ataquem seus donos ou vizinhos e os matem e nada aconteça!. Um assassinato por um cachorro é mais impune que um assassinato de uma pessoa a outra! Em que sociedade estamos vivendo?.

Por minha parte, prefiro continuar minhas conversações com humanos, que com seus erros e acertos ajudam-me a crescer. Porque seu silencio nao é uma coisa natural a eles, senão que acontece porque me estão ouvindo, doando seu tempo, preocupação e amizade.

Porque a vida está feita de amores e desamores, porque em suas imperfeições revela-se o divino, nossa carência dos outros mortais racionais; similares a nós, e ao mesmo tempo tão diferentes.

Eu não tenho mascote, mas sim tenho amigos amados.

domingo 30 de mayo de 2010

Jesus e os outros.

O outro dia estava numa cidade da cordilheira do centro sul do Chile. Fazia frio, um frio que dava dor na cabeça. Desafiando-o, me aventurei numa tarde de caminhada pelo centro da cidade. A pesar de não gostar muito do mall Center, entrei nele um tanto cética, sem acreditar que encontraria algo que realmente gostasse de olhar e me senti-se tentada a comprar. Não prestei atenção ao primeiro andar, o achei muito obvio, normal, ordinário. Subi pelas escadas que contribuem com meu sedentarismo e olhei as plaquinhas de tendas. Meu rosto iluminou-se quando lera: “Livraria interativa 3º andar”. Avidamente fui ao terceiro andar e entrei numa livraria. Confesso que não gostei dela, não achei nenhum clássico, só coisas pos-modernas com altas influencias psicológicas-pragmáticas, e caras.

Sai desiludida de não poder namorar nenhum livro. Então fui para a Feria chilena Del libro, a livraria mais importante do Chile. Foi como chegar a um oasis, como deitar depois de um dia exaustivo. Aqui misturava-se o novo com o antigo, o clássico com o moderno.Senti-me a vontade, tanto assim que fiquei horas namorando os livros que aí encontrava. Achei um muito singular, que , confesso; faz tempo queria ler “Lendas de amor e virtude de São Francisco de Assis.Admiro-o pela sua naureza radical e singeleza.

Cheguei a casa e me dispus a passar uma tarde com o santo menos popular, mas, confesso que não fiquei muito animada. Acontece que depois que se conhece a Jesus, ninguém te parece tão genial assim. As palavras de Francisco eram tão inverossímeis, tão distantes, frias que em nada me incentivarão ou estimularão.

Decepcionada com o santo, lembrei-me do meu doce Jesus, aquele dos evangelhos bíblicos (não dos apócrifos que parece mais distante que Francisco). Aquele Jesus demasiado divino para ser humano e demasiado humano para divino; aquela pessoa perfeita, que conhecia os corações de todos, que se compadecia das pessoas mais que dos animais, que sentia compaixão das multidões, que tinha um caráter rígido e amoroso ao mesmo tempo. Aquele Jesus que olha, que fica em silencio, que chora, que repreende, que tem a capacidade de proteger, aquele Deus que veio ao nosso encontro.

Confesso que sou leitora de sebos, gosto dos clássicos; mas por sobre todas as coisas, gosto do clássico Jesus, a quem podemos ir sem artifícios, sem intermediários, sem imitações (ou projetos de imitações que se auto-atribuem um valor alto demais). Como o Jesus apenas ele mesmo, o resto é resto. O resto são os outros.

miércoles 24 de febrero de 2010

O Reino de Deus e a Igreja indestructivel

Se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará, mas se é de Deus não poderei desfazê-la (Atos 5.38)

Durante todo o transcurso da historia, podemos ver diferentes grupos sociais que tem surgido, tais como os hippies, nazis etc., todos como resposta a um fenômeno social. Vimos seu surgimento, apogeu e decadência. Porem, quando pensamos na Igreja de Cristo como um grupo de pessoas, as apreciações são diferentes, pois não esta criada por fenômenos sociais, senão que é o próprio soberano do universo implantou a comunidade dos santos, não como instituição, senão como uma fraternidade regida por princípios e valores divinos. Por isso não pode ser destruída.

Quando estudarmos as Sagradas Escrituras, vemos, em forma transversal, a intenção de Deus de se reconciliar com a sua criação. No Antigo Testamento podemos observar a YHWH tendo um relacionamento especial com seu povo escolhido – Israel. No começo, depois da queda de Adão, o ser humano perdeu totalmente a comunhão com Deus, mas o soberano continuava com seu plano de ter um relacionamento estreito com a humanidade. A promessa feita a Abrão (nesse então “Abrão” e não “Abraão”)de que sua descendência seria numerosa como as estrelas, nos confirma o firme e imutável desejo de Deus de ter uma comunhão com o ser humano. Poderíamos citar dezenas de exemplos bíblicos nos quais se mostra o interesse de Deus em remir seu povo, como por exemplo o resgate de Egito pela mão de Moises, o reinado de Davi, homem segundo o seu coração, as exortações dos profetas a viver uma vida santa para YHWH, as continuas repreensões ao povo através dos exílios etc. contudo, tudo isto era uma “sombra daquilo que haveria de vir”, pois, como bem o retrata o profeta Isaias, Uma criança nos nasce, filho nos é dado, e o principado sobre seu ombro; e chamar-se-á Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. A extensão do seu império e a paz não terá limite, sobre o trono de Davi e sobre seu reino, dispondo-o e confirmando-o em juízo e justiça desde agora e para sempre. O zelo de Jeová dos Exércitos fará isto (Is. 9.6) . A transgressão cometida por Adão, que sujeitou toda a raça humana a estar destituídos da glória de Deus, foi concertada em Cristo e por Cristo, restabelecendo de uma vez por todas a comunhão entre a criatura e seu Criador. Deus reconciliou o mundo consigo mesmo na cruz (II. Cor. 5.18-19) e por meio da fé neste sacrifício vicário, nos tornamos seus filhos, tendo assim o ministério da reconciliação.

Para seus filhos, o próprio Cristo deixou uma missão, belamente registrada nos Evangelhos, como lemos em Mateus 28.18-20: E, chegando Jesus, falou-lhes, dizendo: È me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Essas mesmas palavras podem ouvi-las hoje do Cristo ressurreto, que nos comissiona a pregar o Evangelho, já que Dele é toda potestade no céu e na terra, e estará conosco todos os dias até o fim do mundo. Como me enviou o Pai, assim também eu os envio, diz o Cristo em João 20.21.Por isso, da mesma forma que o Messias anunciou reconciliação entre Deus e os homens, nós – criaturas feitas filhos reconciliados – devemos anunciar a paz existente por meio de Cristo. Essa é a tarefa de todo cristão fiel: anunciar a reconciliação e remissão de pecados por meio de Cristo.

Pode parecer que, em pleno século XXI, não existam lugares onde o Evangelho não tenha chegado, mas lamentavelmente não é assim. Tive a oportunidade de estar com os índios terenas no Mato Grosso do Sul, e aqui, perto de nós, em pleno século XXI constatar a sede a respeito do Evangelho. Existem dezenas de aldeias e povos não alcançados em América do Sul, basta mencionar as tribos amazônicas, os índios peruanos. Também o mundo muçulmano é, creio eu, o grande desafio da Igreja hoje, assim como a China comunista, África com suas selvas virgens, e claro, o mundo ocidental que, perdido no ateísmo, agnosticismo e ceticismo, precisa ser re-evangelizado.

Conscientes desta realidade, porém confiados em que Deus promove e sustenta a Igreja no Reino, capacitando a seus participantes, é que nos sentimos amparados para realizar tão sublime tarefa de pregar o Evangelho no Chile. Nossa tarefa aqui é pregar de uma forma singular. Com o apoio da IPRB e principalmente da MISPA- Missão Priscila e Àquila, queremos implantar aqui no Chile uma Base Missionária e Campo intermediário. Sabemos que o Reino de Deus abrange a transcende às denominações, por isso a MISPA trabalha com missionários chilenos, para assim cooperar na expansão do Reino e crescimento da Igreja. Nossa finalidade é receber aos candidatos a missões (prévio cursamento da EMPA- Escola de Missões Priscila e Áquila) que tenham um chamado para países de America Latina. Durante um período de seis meses a um ano, prepararemos ao candidato a missões no aspecto lingüístico, de contextualização, de evangelização e implantação de igrejas. Estamos conscientes do retorno prematuro de missionários que são enviados sem nenhum tipo de preparo pré-campo, por isso nosso desejo é que o futuro missionário esteja capacitado para realizar a santa obra de maneira eficiente e eficaz onde queira que este.

A tarefa da Igreja é cumprir a missão supracitada de Mateus 28.19-20, e para isso fazemos missões, isto é, varias formas de levar o Evangelho. Nossa forma é preparando o candidato que vá à linha de frente no campo ainda não alcançado.
Da mesma forma que Deus escolheu a Davi para governar Israel, que chamou Isaias para profetizar e que comissionou aos discípulos o no passado, assim continua convocando aos seus filhos para que anunciem as palavras de salvação. Cristo comissiona pessoas, ainda em uma era onde a tecnologia avança a passos agigantados e parece querer arrebatar tarefas que outrora eram exclusivas de pessoas. O Messias ressurreto comissiona sujeitos e não objetos para fazer discípulos de todas as nações. Movimentos podem surgir com grande aleivosia e logo cair, mas a Igreja de Cristo continua avante, pois este conselho é de Deus e ninguém o pode destruir.

Que o Eterno proteja sua Igreja e a faça crescer no Reino.
Nele, que nos amou ainda não sendo amáveis.
Miss. Daniela Vidal R.
Chile.
Contatos:
e-mail: dvidalita@hotmail.com
Blog: http://www.basemisioneraiprch.blogspot.com
Conta bancaria: Banco Bradesco
Agencia 0004-3 C/C 67525-3

sábado 31 de octubre de 2009

O grande erro


Tenho 26 anos. 1/5 da minha vida a vivi fora do abrigo de tudo o que um dia foi meu. Longe das ruas que me viram brincar. Confesso que estes anos fora da minha pátria foram uns dos melhores anos da minha vida. Posso dizer que quando realmente comecei a viver como adulta, foi nesta terra longuinqua e calorosa.
Foi nestes paralelos e meridianos que concretizei minhas bases, que são as que determinarão meu desenvolvimento no futuro. Minhas principais convições foram criadas aqui. A grande maioria das pessoas que moram no meu coração falam português.
Contudo, dentro de um mês deixarei esta terra que viu meus risos e lágrimas de incipiente adulta, mas esta vez é para sempre, ou pelo menos por um futuro relativamente duradouro. Ao fazer uma retrospetiva destes cinco anos, não poderia deixar de relembrar alguns notáveis ensinamentos.
Aprendi que o ser humano é o mesmo aqui e acolá. Podemos ter diferente idioma, cor, cultura; mas se olhas com paciência e atenção verás que são tudinhos iguais, cheios de medos, sonhos, esperanças, anseios, frustrações várias, amorosos, violentos, mortais, humanos, demasiado humanos como diria o filósofo.
Aprendi que ninguém é tão sábio que não tenha o que aprender, e ninguém tão ignorante que não tenha nada a ensinar. Aprendi com o sábio a quere ser sábia, aprendi com o tolo a não ser tola.
Vi também que nem tudo é teoria, que ela é apenas uma parte, que a vida se concretiza na realização da teoria e da prática. Ambas são importantes. Se não temos teoria, o quê colocaremos em prática? Se não temos prática, como poderemos conhecer empiricamente nossa teoria? O empirismo é também uma forma de conhecimento.
Aprendi que o sol é o mesmo, ainda sendo visto em diferentes lugares do mundo. Que posso ver uma mesma verdade desde angulos diferentes, e nem por isso a beleza do sol diminui.
Experimetei o carpe diem ao máximo. Desfrutei cada minuto com as pessoas que amo, mas poderia ter amado ainda mais pessoas, se não tivesse a tendencia de analisar as coisas ao extremo. Vivi ao máximo a felicidade no seu momento, e deixei que meu coração se rompesse por completo na desgraça. Ri com intensidade e chorei em forma desesperada, exprimindo cada sorriso e lágrima para aproveitar ao máximo o presente, quer seja bom, quer seja ruim. Como diria alguém,"bebi com canudinho cada gota do leite derramado".
Viajei! Conheci lindas paragens totalmente diferentes da geografia outrora familiar. Meu corpo mergulhou-se nas cálidas águas do Atlántico, empapou-se também com as imaculadas gotas de uns dos patrimonios da humanidade. Vi diferentes fisonomias a medida que a viagem transcorria. Uns dos antigos e verdadeiros donos da América Latina-os terenas- me hospedaram com uma gentileza que não esquecerei, me ensinando a riqueza das nossas raízes e idiossincrásia. Conhecí pessoas nobres que me tenderam uma mão amiga quando mais precisava, e sem sequer pedir auxilio. Vi a mão de Deus trabalhando a traves deles de maneira magnifica e amorosa.
Amei e odiei. Ri e chorei. Fui e voltei. Mas um erro eu cometí: não diz o que deveria dizer. Talves se houvesse tido a coragem de arriscar e errar, minha vida seria diferente. Não sei como seria, talves diferente, talves igual, não sei... e lamentavelmente nunca saberei. Parece que meu erro foi não querer errar, tentar ser perfeita, reta demais, justa demais. Todos esses são meus padrões de vida, e em certa medida não me arrependo por tê-los colocado em prática na maioria dos momentos, apenas tenho a constante tentação de pensar como seria se houvesse errado mais. Nunca o saberei, todo pensamento é apenas uma hipótesis.
Em fim, estou fazendo minha mala e guardando todos os grandes ensinamentos e experiências que adquiri nestes anos para levá-los comigo até o fim do mundo, onde as ruas tem poesia, e o ar um gosto de mar lánguido e melancólico, onde me encontrarei com tudo o que um dia fui e não sou mais. Encontrar-me-ei com o alicerce da minha vida, com os jogos de criança, com os amigos de infancia, com historias esquecidas, com becos olvidados. Ao me deparar com isso, sempre terei do meu lado e dentro de mim a "bagagem brasileira", a mala cheia de experiências e amores vários que nunca esquecerei. Filos, eros, ágape; todos estão dentro de mim de forma especial.
Ao fechar minha mala levo tudo comigo, e deixo aqui o som do meu sorrir, meu silencio, meus passos e minha voz. De agora em diante tentarei errar menos, admitindo que sim posso errar.