martes, 25 de agosto de 2009

Descoberta


Descobri que se alguém menciona teu nome, meu coração se tinta de melancolia,
minha alma sobrevive apenas de suspiros,
o silencio chega e senta-se a nossa mesa.
O mundo das antigas possibilidades se abre perante mim,

e todo lo que a ti se relaciona aparece de uma vez só.

Aí descobro que nossos universos não são apenas paralelos,

senão que se interceptam criando pontes invisiveis,

expressados em musica, letras, filosofias e nas veredas que são similares.

Por onde você andou eu ando,

e geralmente vemos o mesmo caminho,

descobro novamente que as coisas acontecem sem que as planejemos.

Descobri que podemos te muitos planes,

mas que não podemos confiar em nenhum.

Descobri que sou sensible ao teu nome,

e que me olhar se fixa no horizonte e nas lembranças,

que meus ouvidos ouvem a musica que não me faz olvidar,

como uma tentativa cegas e inconsciente de te buscar,

de te ter por perto.
Contudo, pertences ao olvido.
Ya não te espero,
ja fechei bem minhas portas,
as janelas bem acordadas ao vento e à chuva,
à selva, ao sol, ao fogo.
Já não te espero, porque se te esperar há solidão nos animos dos sonhos.
Já não te espero.

domingo, 23 de agosto de 2009

Numeros e sonidos

Recuerdo que aquél día estaba en el supermercado comprando algunas cosas que mi madre habia pedido para el almuerzo, allá en mi pequeña y fría ciudad de Tomé, en la costa sur de Chile.
Mientras esperaba que la fila avanzace, miraba como la cajera pasaba los diferentes objetos que las personas compraban. La máquina que analizaba el producto lo reconocía por sus números, y al reconocerlo emitia un sonido. En ese momento el aire marino me hizo pensar que – al igual que los objetos que estaban siendo comprados- nosotros no pasamos de números y sonidos. Para el sistema en el cual vivimos, nuestro registro es sólo un número que al ser identificado emite un sonido. De pronto comenzaron a venir decenas de imágenes a mi mente: las veces que estube en el banco, el uso de internet, mi cédula de identidad, mi pasaporte; y por mas que intentase huir del sistema para que él no me identificase ni me comandase en forma completa, no pude evitar sentir una violación a mi identidad y privacidad.
Me sentí observada, controlada, limitada, incapaz de mantener mi individualidad y mi libertad. ¡ Dios mío, somos números y sonidos!. Lo que importa no es mi nombre ni lo que yo pueda decir de mi, sino que lo realmente importante y tenido como verdad es lo que la máquina registra de mi número 15.614.525-4. Sin números no existimos en esta sociedad. Estuve tantos años huyendo de matemática y ahora los números nos consumem y nos controlan. Un solo error en ellos y la verdad muda completamente.
En realidad no importa mucho lo que podamos decir de nosotros mismos , lo que realmente cuenta es lo que los números dicen de nosotros. Cuando voy al banco, no es relevante mi vida, mi estatus social y ni siquiera si tengo la posibilidad de adquirir un u otro crédito; lo que importa es que existe un número que emitió un sonido que proporcionó un libre acceso para cualquier trámite bancario.
Por otro lado, si el sonido es negativo, mi vida y mi poder individual son limitados completamente. No puedo comprar ni adquirir nada legalmente, porque un sonido me lo niega. De hecho, mi visa acaba en agosto, pero mis estudios no. Lo importante no son mis estudios, sino los números que están registrados en mi pasaporte. Tendré que salir del país antes que el sistema me cante un “mal sonido” y antes que los números me encuentren y me denuncien. ¡ Huyamos de los números!. Esa parece ser una alternativa para mantener nuestra libertad, privacidad e individualidad, pero no es posible; el sistema nos absorve y nos controla.
Mientras concluía todo esto, la fila ya habia avanzado lo suficiente y mi turno habia chegado. La muchacha que estaba en la caja me pregunto: “¿Paga con efectivo o con tarjeta de crédito?”, a lo cual respondi dando una leve sonrrisa: “Pago en efectivo”. Vamos aprovechar las instancias de tener un contacto fisico y personal que esté fuera de los números. Al final de cuentas estoy hablando con una persona y no con una máquina.

viernes, 21 de agosto de 2009

Pronóstico da pos-modernidade gospel, por Ricardo Barbosa de Souza

A nova geração de cristãos não procura mais a salvação da alma, mas um corpo sarado; não busca a justificação, mas a aceitação, não acredita na renúncia, mas na auto-realização; não se interessa em aprender a amar, mas em fazer sexo, não tem mais fome e sede de justiça, mas um desejo insaciável de consumir (...) A grande preocupação não é mais com a santidade, a retidão, o caráter, a vida eterna, mas com o controle da celulite, com os níveis de colesterol, com a taxa de gordura, com a grife sa roupa ou com o sucesso profissional".
Ricardo Barbosa de Souza é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto em Brasilia

Reciprocidade do Reino

Atualmente se vive uma época em que o individuaismo predomina nos relacionamentos interpessoais. Pouco leva-se em consideração as necessidades do outro, o realmente importante é obter as coisas para sí em detrimento dos demais. Surprendentemente isto não é um tema da posmodernidade, necessáriamente, pois Jesus, dois mil anos atrás já falara e advirtira a respeito disto.
Na proclamação do sermão da montanha, que começa no capítulo 5 e vai até o último versículo do capitulo 7 do Evangelho de Mateus, Jesus fala primeiramente aos seus discipulos e logo a toda a multidão a respeito da praxis dos cidadãos do Reino. Entre os vários axiomas pronunciados por Jesus, o registrado no versiculo 12 possui uma beleza singular.
Para um judeo religioso nada era mais importante que cumprir a Lei e conhecer as palavras dos profetas. Os ouvintes de Jesus eram todos judeus, portanto sabiam quão importante era cumprir toda a Lei e conhecer as palavras dos profetas do reino de Israel. Mas Cristo expressa uma das verdades do Reino dos Céus: a lei da reciprocidade; o que quereis que os homens vos façam, fazei também a eles, porque esta é a Lei e os profetas. Eis aqui o rei sublime resumindo as premissas religiosas dos judeus!. A prática constante do judeu era julgar e condenar a quem não cumprisse a Lei ou não guardasse o sábado, mas YHWH se mostra como um Deus que se compadece dos seus filhos e que lhes outorga as coisas necessárias para viver. Se o Deus do universo dá boas dádivas aos seus filhos, da mesma maneira esses filhos devem dar na mesma medida o que lhes foi dado, tendo em mente que da mesma forma que foi tratado por Deus, deve tratar com os outros, e da mesma forma que ele deseja ser tratado deve tratar os seus semelhantes. Resume-se a Lei e os profetas no amor e na reciprocidade.
A relevancia das palavras de Jesus é tão grande e sua mensagem tão vigente que seria impossivel ignorá-la. Atualmente demanda-se mais do que é outorgado; espera-se benignidade quando expressa-se má vontade, deseja-se ser ouvido em dias que ninguém ouve, demanda-se amizade onde semeia-se traição. Isto não é reciprocidade!, nem sequer a lógica poderia apoiar o raciocinio e pratica moderna. Se obtém o que se dá, se planta o que se colhe. O reino é simples!. As palavras de Jesus vem de encontro à humanidade e confronta suas maiores fraquezas: o relacionamento com o outro. O mestre do cristianismo exorta que o homem deve dar aos outros absolutamente todo o que quer receber dos outros; que paradoxo sublime!. As palavras do mestre jamais serão amigas do mundo como sistema, pois elas vem a confrontar a natureza afastada de Deus e, ao mesmo tempo proclamam, assim como para os judeus de outrora, as máximas de um reino superior e magnifico, que em nada se encaixa com os modelos terrenos de reino nem com sua praxis individualista e indiferente. Quem quera cumprir a Lei e os profetas, deve fazer o que deseja seja feito com ele.

lunes, 17 de agosto de 2009

O cristão e o mundo

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que há de se salgar? Para nada mais presta senão para ser lançada fora, e ser pisado pelos homens (Mt. 5.13)
O Brasil é um país abênçoado, a cada dia igrejas são criadas, lugares litúrgicos são inagurados com nomes singulares e a palavra de Deus é pregada. Ser cristão é normal, comúm, popular, até tornou-se moda neste país tropical. O bom disto é que o nome do senhor Jesus esta sendo anunciado. Contudo, este fenômeno traz consigo algumas implicações dignas de consideração. Vemos muito carisma e pouco caráter. Muitas igrejas, muitos cristãos, muito comodismo, muita música gospel, muitos livros gospel, e glória a Deus por isso!, mas juntamente com isto, vemos também pouco caráter. Pouca diferença entre quem é cristão e quem não é, pouca firmeza, pouca doutrina, pouca irrepreensibilidade, pouco testemunho pragmático, pouco evangelismo e visão missionária, pouca leitura biblica, pouca prática das verdades cristãs. Em fim, Muita igreja e pouco reino.
Mas este cénario não é apenas o cenário brasileiro atual, pois o relacionamento complexo dos cidadãos do Reino com o mundo no qual vivem se remonta aos cristãos ao longo da historia, até chegar ao próprio Jesus e seu contexto religioso judaico.
Cristo adverte seus discipulos, no magno sermão da montanha, da natureza peculiar de cada um deles como cidadãos do Reino. Contudo, seria um erro hermenêutico issolar este versículo do seu contexto imediato. Jesus começa falando a respeito das bem-aventuranças, ou da felicidade que proporciona ser um cidadão do Reino, ainda que as premissas sejam paradoxais às do mundo como sistema. Os que são pobres de espirito, os que choram, os mansos, os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição, os injuriados e caluniados por causa de Cristo; eles são os que receberão as dádivas do Reino e o galardão, eles são os felizes e bem-aventurados, pois estas são caracteristicas dos filhos de Deus. Assim perseguiram aos profetas antigos e assim farão com os discipulos atuais. Estas são as pessoas às quais Jesus chama ‘o sal da terra’. ‘Vós sois o sal da terra!’. Pessoas que sofrem por causa do evangelho, não os fariseus da época, senão os verdadeiros filhos de Deus e participantes do Reino. O versiculo seria melhor traduzido como ‘vós sois sal para a terra.’ O discipulo como ‘sal’ para o mundo tem todas estas qualidades que lhe são inerentes, principalmente a de preservação para evitar a putrefação. Se o sal for insipida, com que sazoar-se-á?. Se os cristãos não sofrerem e vivenciassem todas as dádivas de ser filho de Deus neste mundo, como o mundo seria preservado?. O mundo estaria totalmente corrompido a não ser pela presencia dos filhos de Deus no mundo. A presencia do cristão no mundo é de suma importância para fazer a diferencia em um mundo que está nas mãos do maligno e que é aborrecedor de Deus. Se o sal for insípido, para nada mais presta senão para ser lançado fora e pisoteado. Se o cristão não sofrer e desfrutar as bem-aventuranças para nada sirve senão para ser rejeitado e colocado fora. As palavras de Jesus são claras e fiéis. Se um cristão não manifesta sua natureza regenerada e não sofresse por causa de Cristo, dando testemunho ao mundo através da sua própria vida, para nada serve senão para ser lançado fora.
As palavras de Jesus trazem confronto. O cristianismo jamais será amigo deste mundo, pois os valores do Reino são diametralmente opostos aos valores cristãos, são um paradoxo constante. Por esta causa é que o cristão deve mostrar-se como uma pessoa, de fato, regida por um código moral divino, ‘de outro mundo, de outro reino’, um individuo que está no mundo, mas não faz parte dele. Deve mostrar caráter e não apenas carisma.
Este é o grande desafio de Cristo à igreja atual, e particularmente à igreja brasileira que cresce a cada dia mais. Oxalá que esse crescimento seja um gerador de ‘sal para a terra’, um preservador do mundo corrompido, uma manifestação de uma contra-cultura, um reino paralelo que influencie cada dia seu redor, não apenas com moda, com música e livros, senão, por sobre todas as coisas, com firmeza, irrepreensibilidade, testemunho, pureza de coração, paz, sofrimentos de blasfemias por causa de Cristo, caráter e carisma.
Senhor, ajuda a tua igreja a ser sal para a terra, a ter a natureza de filhos de Deus como uma coisa sublime e não corriqueira, a ter muito carisma, mas também muito caráter.






sábado, 15 de agosto de 2009

Apenas uma voz no deserto



Ser humano é complicado. Nossa natureza está cheia de ‘humanidades’ que são incompatíveis com a natureza regenerada dos filhos de Deus. Lembro da pregação de um jovem e velho amigo falando a respeito da ‘etica’ da igreja satánica. O que eles enfatizam aos seus feligreses é explorar ao máximo todos os desejos da alma sem reprimir nenhum deles, pois o se humano é mau por natureza, portanto não deverá se esforçar nem reprimir seus desejos de fama, dinheiro, promiscuidade e egoísmo.
O ser humano é assim, cheio de ‘humanidades’. Mas nós somos nova criatura, nossa praxis deve proclamar isso a cada día. Nossos valores são totalmente voltados à legislação divina e todo nosso ser aponta ou deveria apontar para o Cristo morto e ressurreto que é o guia da Igreja.
Quando olhamos para a Biblia, nenhum nascido de mulher exemplifica melhor isto que o profeta João Batista, o último dos profetas. Foi o último dos profetas porque foi o que pronunciou e anunciou a última palavra de Deus para o mundo, a saber, Cristo. Da mesma forma, o último dos profetas é profetizado por Isaías 300 anos atrás, enfatizando assim a grandiosidade da palavra e mensagem de Deus concretizado em Cristo. O último dos profetas nem sem sequer é anunciado como uma pessoa, ele é apenas ‘uma voz’, que parece carecer totalmente de identidade. Não importa se seja João ou José ou Pedro, o que importa é que há uma voz no meio do deserto. Esta voz é ouvida em todo lugar, ainda no mais desolado e desabitado. Interessante que nem a própria ‘divulgação do ministerio de Jesus’ foi nas grandes metropolis rodeado de prensa e com um marketing parafernálico, foi no deserto!, em um lugar desolado onde nem todos ouvem.
Engraçado que João tem uma missão notável de anunciar a vinda do Messias e preparar o caminho para que o povo o recebe-se, mas ele é apenas uma voz, o amigo do noivo, um ator que não leva crédito nenhum, apenas uma voz. O importante no ministério de João Batista não era sua pessoa, senão a sua mensagem. Sua mensagem apontava para Cristo e para o arrepedimento como pressuposto para seguí-lo. Ele fala de si mesmo como uma pessoa indigna de desatar as alparcas de Jesus, indigna de ser seu escravo, seu servo .
Impressiona-me e motiva-me a atitude de João Batista, o último dos profetas. Contudo, quando olho para os ‘profetas e bispos dos últimos tempos’, pouquissima semelhança encontro entre eles e o maior dos nascidos de mulher. Posso perceber que os profetas vigentes carecem de humildade e direcionamento. Em lugar de apontar para Cristo, apontam para eles mesmos, em lugar de se considerarem como indignos de ser servos do Messias, consideram aos demais como indignos de se assemelharem a ele e a seu ministerio ungido, particular e personalizado. Não são uma voz no deserto, senão uma pessoa no meio da multidão. Na multidão podem haver muitas pessoas, mas o barulho não deixa ouvir muitas coisas. No deserto há poucas pessoas, mas a proclamação é clara e audível.
Senhor, nos ajude a ser cada vez mais ouvidos, porém menos percebidos. Que nossa voz seja mais alta que nós mesmos. Que nossas atitudes apontem para teu Messias e não para nós mesmos. Que continuemos a pensar-ao igual que Jõao-que somos indignos de te servir e andar contigo. Que sejamos apenas uma voz, sem marketing, sem barulho, apenas uma voz que aponte para Cristo. Livra-nos de nós mesmos Senhor. Que Tú cresças e que nós diminuamos. Essa é nossa oração. Amém.

domingo, 9 de agosto de 2009

O Reino de Deus e a sua (Sua) justiça


Acredito que um dos temas mais belos do Novo Testamento é o Reino de Deus. Atrever-me-ia a dizer que não somente do Novo Testamento, senão da Biblia toda, pois nele se manifesta o eterno e invisivel poder de Deus no meio da historia.Todas as doutrinas biblicas são manifestas para a concretização do Reino para glória d`Ele.
Todo o Antigo Testamento apresenta a nação de Israel e a seu único e sublime rei: YHWH como criador e autor das vitórias e derrotas dos israelitas. Um Deus soberano que exalta, humilha e ama seu povo. Que ensina através dos pagãos que todo poder esta n´Ele e não na intregridade da religiosidade nem na força militar, necessariamente. Um único Deus que não tem par. Recém em Isaias o povo conhece que não existe ‘ outro” deus e que os idolos nada são. Adonai é suficiente para seu povo e Ele reivindicará as promessas da restauração de Israel que continuamente pasara pelo oprobio e desgraça.
A esperança é um elemento que sempre esteve presente no Antigo Testamento. Esta esperança de restauração a vemos cumprida a cabalidade no Novo Testamento.
A aparição do Messias no estado de humilhação foi o fato glorioso e a consumação de toda esperança e promessa feita por Deus. O Reino de Deus se havia aproximado à humanidade, Ele estava entre nós!. O único capaz de exercer toda justiça estava presente e pronto para fazernos participantes da promessa de restauração.
Quando Jesus ensina à multidão e aos seus discipulos a “buscar primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas os seram acrescentadas tenho boas razões para acreditar que não se referia a atos de justiça propriamente tais, senão que se referia a Ele mesmo.
A lei nos revela o pecado e a incapacidade de cumprir todas as exigencias feitas a cabalidade. A consciência de incapacidade se faz manifesta pela lei e todo esforço humano torna-se vão para realizar tão utopica tarefa. É mister algo ou alguém que cumpra a lei a totalidade, alguém justo demais para realizar tal tarefa. Somente o Filho de Deus poderia dar-nos essa justiça; convertendo-se assim na personificação da justiça, a utopia sendo realizada, o sonhos dos homens torna-sem realidade por meio de um deus, o único Deus soberano do universo.
Buscar o Reino de Deus e a sua justiça é buscar a vontade de Deus e a pessoa do proprio Jesus, encarnaçao e personificação exata de toda justiça realizada. Tendo estas coisas como prioridade, todo o demais que precissemos simplesmente será acrescentado. A única e sublime necessidade é busca-lo, as demais coisas são só isso: coisas.
Que o mesmo Rei nos ajude a busca-lo cada dia, para que assim se torne nossa necessidade prioritaria, o sublime anseio da nossa alma e a satisfação da nossa vida.

lunes, 3 de agosto de 2009

O jejum

Nesta minha mente há muitas dúvidas que surgem a cada dia. Sou curiosa, admito, pelo menos com as coisas que me interesam, e muito mais com as verdades bíblicas. Perguntei-me o outro dia a respeito do jejum, a sua origem, significado e vigencia. Compartilho com vocês o que descobri.
Deficição e introdução

Jejuar é abster-se de qualquer tipo de comida, durante um periodo limitado. Qual é o verdadeiro motivo do jejum?. Nas religiões pagãs do mundo antigo, era claramente um medo aos demônios, e a ideia de que o jejum era um meio eficaz para se preparar um encontro com a divindade, pois criava o tipo correto de abertura diante da influência divina. Por esta tazão, nas religiões misticas, pertencia ao ritual de iniciação dos novicios.Na magia, como nos oráculos, o jejum era frequentemente considerado um preparo necessário ao sucesso. Era bem difundido o costume de de jejuar depois de uma morte. Enquanto a alma do morto ainda está por perto, há perigo de infecção demoniaca no comer e no beber. O jejuar também era exigido, por exemplo em certos ritos de fertilidade.
Na prática, era comum na totalidade do mundo antigo o jejum no ambiente de ritos religiosos e como defensa contra desgraças, mas não o jejuar por motivos éticos (ascetismo).

O jejum no Antigo Testamento

O TM usa a palavra ‘innah nepes’, “afligir-se” (lit. afligir a sua alma) juntamente com ‘sum’ que significa jejuar, refirindo-se a um rito de purificação. Frequentemente se encontra a expressão “não comer pão nem beber agua. As formas e propósitos do jejum são numerosas. O jejum se praticava em Israel como: preparativo para uma conversa com Deus (Ex. 34:28), meio de livrar-se de opresão (II Samuel 12:16-23), perigos de uma iminente guerra, como rito de expiação.
O jejum e a oração constantemente se acompanham, perdurando desde a manhã até a tarde (Jz. 20:26). Na descrição de Sl. 109:24, as tormentas do jejum durante o periodo de acusação são, ao mesmo tempo, um reflexo das tormentas intimas enfrentadas pelo suplicante. No decorrer do tempo, o sgnificado mais profundo do jejum, como expressão de humilhar-se do homem diante de Deus, foi perdido para Israel. Sempre, mais veio a ser considerado uma realizaçaõ piedosa. A luta dos profetas contra esta depersonalização e esvaziamento do comceito ficou sem sucesso

Vejamos o que diz Isaías a respeito do jejum
Isaías 58

v.5 seria este o jejum que eu escolheria: que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de sí saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazivel ao Senhor?
v.6 Por ventura não é este o jejum que escolhi? Que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo? E que dexes livres os quebrantados e despedaces todo jugo?.
v.7 Por ventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desterrados? E vendo o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?
v.8 Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face e a glória do Senhor será a tua retaguarda.
v.9 Então clamarás, e o Senhor te responderá: gritarás e Ele dirá Eis-me aqui: se tirares do meio de ti o jugo o estender do dedo, e o falar vaidade.

No tempo de Isaías, o povo de Israel estava totalmente corrompido e esquecido da Lei do Senhor. Oprimiam o estrangeiro e se apoderavam das terras. Contudo, com seus ritos de costume queriam conquistar o favor de Deus. Ele rejeita totalmente esses ritos vazios e incongruentes com a praxis judaica.
O texto de Isaías indica que uma mera abstinencia de comida que não esta acompanhada por boas obras e cumprimento da Lei é igual a nada. Ou pior, não é algo do qual Deus se agrada. Para agradar a Deus, primeiramente se deve agradar o proximo e considerá-lo como digno dos favores, pois a Lei mandava assim. Toda ação religiosa que não esteja motivada pelo amor e por sentimento sincero diante de Deus e dos homens, é abominação ao Senhor. O favor e comunhão com Deus são impossiveis se não existe santidade no proceder do dia a dia.

O jejum no Novo Testamento

O ponto de vista interamente novo que o NT contribui sobre à questão do jejum se se expressa com a maxima clareza nas palavras de Jesus em Mr. 2:19: Podem, por ventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? O irrompimento do reinado de Deus, da presença do Messias, das boas novas de salvação que independem das boas obras – tudo isso implica alegria, que é uma coisa excluída pelo jejum no sentido judaico. As palavras de Jesus parecem indicar que quem está com Cristo não precisa estar em luto e jejum, senão em festa e alegria. À luz da pregação de Jesus centralizada no Messias, o jejum desse tipo é coisa do passado, e pertence a uma era que já se foi. Nos Evangelhos, a resposta vinculada às parabolas de emenda nova na roupa velha e do vinho novo nas botijas velhas (Mr. 2:21-22) Contudo, o contexto nos diz que a resposta de Jesus referia-se aos discipulos que estavam com ele. Logo ‘o noivo’ seria tirado, e aí haverá razões para jejuar. Mas a igreja atual tem a promessa da presencia do Espirito Santo e do próprio Cristo todos os dias até a consumação dos seculos (Mt. 28:20). Não há evidencia do século I de que os cristãos tenham voluntariamente imposto o jejum sobre si mesmos. O NT não faz referencia a ele.
Contudo, temos Mt. 4:2 onde Jesus jejuou 40 dias e 40 noites. Alguns argumentam que sucedeu porque foi ni limiar da vinda da salvação.
Temos também o texto de Mt. 6:16 onde Jesus não condena o jejum em si, senão a hipocrisia e ostentação dos fariseus. O jejum é um costume judaico tal como a circunsição e a purificação.
Mateus 17 :21 ‘Mas esta casta de demonios não se expulsa senão com oração e jejum’. Parece que o texto diz que certos demonios não saim senão pela oração e jejum, mas este versiculo não se encontra nos manuscritos originais e mais conceituados e em Mr. 9:29 apenas se menciona a oração nos MSS.
Podemos, portanto, concluir que a ideia de que o jejuar tem valor por si mesmo foi abandonada, mas que a igreja primitiva de Palestina ainda retinha a prática do jejum a fim de demostrar que suas orações eram sinceras (Atos 13:3). Nas igrejas helenicas, conforme a evidencia da ausencia total destes termos das Espistolas, mormente nas de Paulo (pois há duas instancias, em II Co. 6:5 e 11:27 são apenas autobiográficas) e de Hebreus, parece que nem sequer existia a praxe de jejuar.
O jejum é apenas um rito religioso judaico que não tem um significado religioso nem espiritual para nossos dias, assim como a circunsição, as leis de purificação e a salvação por obras da lei.
Mas apesar disto, não podemos sair falando aos quatro ventos esta verdade sem explicar em forma lenta e biblica a natureza do jejum. Continuo a jejuar, não para obter um favor de Deus, senão por obediência quando ele é indicado, e por simbolo de um sincero desejo de que Deus ouça minhas preces. Apenas um simbolismo, nada de dogma; não é doutrina nem costume da igreja primitiva.
Contudo, a praxis da igreja atual reivindica o jejum como um exercicio espiritual feito de forma voluntaria. Concordo plenamente com sua prática quando é feito de forma sincera e sem utilizá-lo como uma ferramenta para ‘mover o coração de Deus’. Os grandes homens do cristianismo jejuavam constantemente. Jejum, penso eu, depois de ter lido sua origem e fazer uma eventual contextualizaão, é um tempo reservado para Deus, um despojar-se de toda a correria do dia a dia, das atividades que nos consumem e dirigem nosso tempo. Considero-o como um parêntesis espiritual, um parar do tempo em que seu pensamento está, ou deveria estar, focalizado apenas no Senhor altissimo e soberano, sem relogio, sem pressa, sem tarefas. Apenas Jeová e eu:um dia reservado para estar com um bom amigo, Senhor do universo e salvador de nossas vidas.