lunes, 29 de junio de 2009

Deus, sempre Deus

São 23:15 e perdi o sonho. Sempre acontece quando estou ansiosa. Para ocupar meu tempo li Calvino e mexi na net. Entrei na comunidade de Nietzche (faz tempo que não entrava) inconscientemente fiz um paradoxo: que tem a ver Calvino com Nietzche!? Nada!! Acredito que Calvino o chamaria de 'porco que deve ficar na sua pocilga', como sempre falava dos filosofos epicureos e escolásticos.
Mas há um tema em comum que os une: Deus. Por Nietzche odiado até a morte, por Calvino amado para todo o sempre. O tema de Deus e a sua existencia tem unido não tão somente à antitesis Nietzche-Calvino, ou ateísmo-cristianismo, senão que todo debate sério de qualquer índole sempre nos levará a Deus.
Existencia ou não existencia, presente ou ausente, deista ou soberano; entre essas premissas divagam as pessoas que meditam na sua existencia como ser humano. Mas me deixa tão feliz que Deus sempre esteja presente, até em comunidades ateas, onde por coerencia nem deveria aparecer seu nome!. É impossivel negar a sua existencia, a própria natureza nos revela fulgores da sua glória, a nossa alma o anseia. Esse anseio desesperado é que leva ao ateu a odia-lo e nega-lo, porque é algo que está além dele mesmo, é o 'totalmente outro'. Temos dentro de nós o que mais nos assemelha a Ele e o que mais nos faz diferente Dele: imagem do divino e o pecado.
Louvo a Deus porque realmente ninguém precisa defende-lo para fortalecer a sua existencia, Ele se vale por sí mesmo, até nas comunidades ateas é tema de conversação e discussão.
Ele está aí, para felicidade de uns e desgraça de outros. Nada pode fugir da sua presença, nem o mais nietzchiano ou sartreano. Deus sempre esteve e estará, nunca se foi, qual relogeiro que dá corda ao mundo e logo o abandona ao acaso. Deus, sempre Deus.

Cinema à 'carte'


Na sabedoria popular há muitos ditados que expressam alguma verdade. No meu país há muitos e acredito que aqui no Brasil há também.

Um entre tantos diz 'dime con quien andas y te diré quien eres', 'al mal tiempo buena cara', 'mas vale pájaro en mano que cien volando' entre tantos outros que aprendi do meu pai e dos meus professores. Mas a esse 'dime con quien andas y te diré quien eres' (dime com quem andas e dir-te-ei quem és) eu fiz uma modificação: 'dime a música que escutas e dir-te-ei quem és'. Mas atualmente criei outro de maneira similar: 'Dime os filmes que assistes (ou gostas) e dir-te-ei quem és.

Lembro há alguns anos atrás, creio que meu primeiro ano aqui, que um grupo de amigos fomos um final de semana à casa de outro amigo fora da cidade. Entre saidas, risadas, pizza; não poderia faltar o típico filme de final de semana. Para isso fomos todo mundo à locadora para escolher os filmes. Estava ansiosa por poder escolher algum drama existencial-social (America X), uma comedia bizarra com humor absurdo, que só dá vontade de rir de tão absurdo que é (só lembrar de Adam Sandler e seus filmes que adoro) ou até uma comedia romántica como Letra e Musica (Drew Barrymore e Hugh Grant); mas ao fazer as apreciações dos filmes, percebi que era minoria nesse lugar. Confesso que fiquie frustrada. Meus amigos e eu tinhamos gostos tão diferentes!. De pronto me vi rodeada de 'Legalmente loira', 'Constantine' (me perdoem, mas esse filme é horrivel!) e outros que minha mente não guardou na memoria para minha saúde.

Talves esteja sendo muito critica, critica demais como me fez perceber o último exercicio psicológico que fiz (não acredito muito na psicologia, mas esse é outro tema), mas aí percebi que as prioridades da vida, os conceitos, as janelas e prismas pelos quais a vida é observada são sempre diferentes de uma pessoa para outra, e isso se reflete nas tuas opções, opções tão simples como escolher um filme. Já dizia o grande C.S Lewis que ao conhecer um amigo, preguntas para ele 'Você vê a mesma verdade?'. Se a resposta for positiva reforçara a ponte de amizade e filosofia de vida, se for negativa perjudicará a amizade, ou apenas será neutra, não acrescentará nada. É assim que as coisas funcionam...pelo menos para mim...A sabedoria popular está aí..heheh.

Continuo tendo esses meus amigos depois daquela catastrófica ia à locadora, mas a respeito de filmes nada foi acrescentado. Poderia ter sido, mas não foi, pelo menos não no 7° arte. Contudo, sempre há alguém que consegue ver a mesma veradade, sempre há, e por curioso que seja, esses são meus amigos mais próximos. Assim como há variedade de filmes, há variedade de gostos. Eu fico com os meus, com minha cinema à carte .

lunes, 22 de junio de 2009

Carisma para éticos e caráter para carismáticos


Depois do almoço nada melhor que ler um livro prazeroso. Bom, poderia também assitir o jornal nacional, mas como as circustâncias mo impedem, leio.
Estou lendo Igreja, crescimento integral de Caio Fabio. Confesso que é a leitura que estava precisando por estes dias. Além dos méritos que ele já tem, este livro é particularmente bom. O primeiro capitulo intitula-se “Carisma para éticos e ética para os carismáticos”. O capitulo vem de encontro com minhas crises teologicas e pragmaticas.
Sejamos sinceros, ser conservadores, ortodoxos, neo-ortodoxos reformados, calvinistas ou como você quera chamar e se encaixe é muito bom. Nos esforçamos e com a graça de Deus conseguimos viver uma vida que lhe agrade, tendo ótimos padrões éticos e consequentemente uma boa praxis cristã. Pecamos, nos arrepentimos e não voltamos a cair no mesmo pecado, não porque não nos sintamos inclinados a ele, senão porque amamos com mais intensidade fazer a vontade de Deus e não insultar a sua santidade. Procuramos dar um bom testemunho de cristãos perante a sociedade, estamos comprometidos com a verdade do Evangelho e choramos quando a Sacrossanta é deturpada na sua transmissão.
Mas quando vamos para o dia-a-dia nossa fé parece distante, ou pelo menos a minha. Acredito piamente na soberania de Deus e no cumprimento total da sua vontade na historia da humanidade e na minha vida, mas quando tenho que passar isso para a praxis é que torna-se complexo. Parece que o espirito (quando digo ‘espirito’ não o faço com a mesma concepção corriqueira atual, senão que refero-me à essência, motivação) do iluminismo e racionalismo tomaram conta de nós. Uma tendencia deista toma conta de mim!. O decreto de Deus já foi pronunciado e parece que ele não interfere mais na história, não há milagres, não há coisas sobrenaturais. Parece que Deus parou na historia!,e desta forma a fé fica limitada a minha biblioteca. Acredito que Deus é um Deus que age, contudo parece que não consigo ver essse agir, ou talves acostumei-me demais a ele que já não o percebo. Enxergo tudo de forma natural.
Milagres para mim é coisa da Biblia, tenho dificuldade em assumir alguns como, de fato, divinos, embora acredite que Deus pode fazer milagres. Essa coisa espontanea que carateriza os denominados ‘pentecostais” falta na nossa vida. Temos o conhecimento,sabemos interpretar as Escrituras, mas perdemos a espontaneidade, o elemento surpresa.
Com isto não digo que deseje ser “pentecostal” nos termos que hoje conhecemos, mas em honor à verdade, poderiamos fazer muito mais com a revelação que Deus nos dá da sua Palavra.
Parece-me que estou distante de toda influencia do divina!.
Por outro lado, temos os carismaticos que deturpam as Sagradas Escrituras em forma violenta, envergonham o Evangelho com as suas atitudes, mas suas igrejas crescem, “milagres” acontecem e pessoas se convertem ou dizem se converter.
Que Deus nos ajude e me ajude nestas questões básicas. Que o intelectualismo não impeça que o desconhecido de Deus se manifeste em nossas vidas a cada dia e que o equilibrio esté presente sempre em nós.

viernes, 19 de junio de 2009

Geração never mind

Sou da geração dos 90’. Minha adolescência a começei no ano 1995, quando tinha 13 anos. Como admiradora da historia conhecia a luta ideológica dos hippies e sua proposta de paz de amor como solução à guerra de Vietnã. Também me enterei da proposta totalmente oposta do movimento punk, o qual se opunha a todo ordem estabelecido e autoridade, levantando a bandeira da anarquia e liberdade como sinal de guerra.
Estas consignas sociais e ideologicas me surpreendiam e faziam crescer em mim a natureza indagadora e crítica de adolescente e jovem atraves dos anos. Mas quando olhava para minha geração, o único que podia ver era a consigna do “tanto faz”. A bandeira do “never mind” que aprendimos com Nirvana dos anos 90’ e que passou de forma geral às gerações do mundo todo.
De pronto e senti que havia nascido na geração errada. Minha época era uma época passiva, onde não existiam horizontes, otimismo, perspetiva e opinião a respeito da realidade. O tipico “ não estou nem aí” era uma das frases mais usadas dos meus colegas. Havia um total desconhecimento da politica, sociedade e mundo. Mas como nunca podemos generalizar, existia no meu contexto pessoas que, ao igual que eu, não se conformavam com a geração que lhes tocou viver e que, embora tentassem reivindicar o passado, nada conseguiam. Nossa luta não era fisica, senão de pensamento. Criavamos o mundo e o voltavamos a derrubar com a força das nossas palavras. Esa era a nossa única arma de luta:as palavras.
Mas nossa geração, a geração do never mind é a grandes rasgos uma geração muda, passiva, que cruzou os braços perante a realidade. Não tem motivos de luta: as ditaduras haviam acabado, pelo menos em America Latina, a democracia começava a imperar nos países; já não havia motivo de lutar.
Depois de quase 20 anos, a geração never mind continua e são os adultos jovens da nossa sociedade. O direito a voto não interessa, os principios e valores são irrelevantes, a opinião é desnecessária, ainda nas coisas menores. Vivemos em democracia, mas parece que perdemos a capacidade de escolher, de fazer nossa voz audível. Talves sempre estivemos acostumados a que alguém decidisse por nós e agora que chegou a hora de tomar nossas próprias decisões, permanecemos na inércia.
Que Deus nos livre da geração never mind,e que a cada dia nosso senso critico, porém construtivo, possa crescer a cada dia. Quem critica critica alguma coisa com a finalidade de faze-la melhor, por isso o otimiso nunca pode estar longe de nós.
Que não precissemos uma guerra nem ditadura para fazer nossa voz audivel e nossas decisões patentes. Nosso mundo não é perfeito, portanto ninguém pode ficar na passividade.

Ladrão ou diabo?


Sinceramente, já perdi a conta de quantas vezes na minha vida tenho ouvido o muito citado versiculo de João 10:10 “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir: eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” Este versiculo sempre tem sido atribuido ao diabo. Parece que o “saber popular gospel” nos diz que o ladrão é o diabo que vem a roubar, matar e destruir. Não gostaria de contradizer o saber popular gospel, mas nesta ocasião torna-se necessário em honor à verdade biblica. Nem precisamos ir para o grego koinê para saber, de fato, a quem Jesus esta se referindo. O contexto imediato nos mostra com quem o Mestre fala e a quem se refer quando diz “ladrão”.
Veja só. Para variar, Jesus estava rodeado de fariseus, os quais tinham presenciado a cura de um cego de nascença (cap. 9), se atribuindo todas as qualidades divinas de dar luz a aqueles que não a tem; não porque o cego ou seus pais houvessem pecado, senão para que a glória das obras de Deus se manifesta-se nele ( 9:3). Os fariseus estavam julgando que Jesus não poderia ser Deus porque não guarvada o sabado ( 9:16). Outros não deixavam de se assombrar pelo caráter extraordinario da sua personalidade e capacidades sobrenaturais (9:16b). O povo estava desorientado, querendo acreditar em Jesus, mas com medo dos judeus. Os fariseus são confrontados pelo próprio cego desprezado e sem religião de não saberem de onde vinha a autoridade e poder que este Jesus tinha. O próprio cego reconhece a divindade de Cristo (v.32-33). Os fariseus se mostram arrogantes perante a confissão do cego (v.34).
Cristo estava indignado com a pressunção dos fariseus e pela sua hipocrisia, quando começa o capitulo 10. Vale relembrar que nos textos originais não existia essa divisão de capitulos e versículos, portanto as divisões que temos em nossas Biblias jamais devem nos servir de guia para separar um assunto do outro, jamais!. Sendo assim, Jesus continua falando aos fariseus e dos fariseus, acusando-os de clausurar a porta para que as ovelhas entrem no curral. Jesus se autodenomina como a “porta” (v.7) e quem tenta entrar por outra porta, ou seja, manter uma religiosidade e chegar a Deus de outra forma que não seja por meio da “porta” que é Cristo, é ladrão e salteador. Quem queria manter sua religiosidade por meio da Lei e não de Cristo que é a porta, eram os próprios fariseus. Ele é a porta e todos os que vieram antes dele - religiosos fariseus – não são nada mais nem nada menos que ladrões e salteadores.
Onde se encaixa o diabo em tudo isto? Por acaso o diabo veio “antes dele” historicamente? As ovelhas não seguem os falsos mestres ladrões e salteadores que querem manter uma religiosidade fora da porta que é Cristo. As ovelhas ouvem a voz do pastor e o seguem. O ladrão que são os falsos mestres destruim a vida das ovelhas, roubam sua proximidade com Deus e colocam fardos religiosos pessados demais para se aproximar de Deus. Jesus veio para que tenham vida n’Ele e vida em abundancia.
O mercenario do v. 12 sem dúvida é o mesmo ladrão e salteador. O mercenario foge porque não são deles as ovelhas. Este ‘fugir’ era a mesma atitude despreocupada que os fariseus tinham com o povo judio respeito a cuidar deles como lideres religiosos.
Mas vamos para o ponto: Diante de todo este contexto, como poderiamos chegar à conclusão que o ladrão é o diabo? Acaso o diabo é mercenario, ladrão e salteador?. Pode até ser, mas o texto claramente esta dizendo que os mercenarios, ladrões e salteadores são os lideres religiosos. Olhem só o v. 40 do capitulo 9 quando os fariseus perguntam se eles também são cegos. Até eles sabiam que Jesus os estava acusando de não ser do aprisco e nem deixara que as ovelhas que são de Deus entrem pela porta verdadeira.
Jesus, a luz verdadeira, dá luz a um cego da nascimento, tirando toda culpa pecaminosa dos pais e do próprio cego, atribuindo a causa da ceguera para glória de Deus e a manifestação das suas obras!. O mesmo Jesus chama os fariseus de ladrões, mercenarios, salteadores; porque diziam saber a verdade, estar na luz verdadeira, contudo eles eram mais cegos que o próprio cego, pois vendo não enxergavam e pecando diziam não ter pecado.
Onde se encaixa o diabo aqui? Eu não o vejo explicitamente, pois o texto não o apressenta. O texto só fala da insuficiência dos fariseus de cuidar do rebanho de Deus. Fala das ovelhas que ouvem a voz do pastor, do cuidado eterno e permanente que ele tem para com elas. Fala da luz que tira as pessoas de toda treva e das trevas nas quais permanecem aqueles que pensam estar na luz por sua própria capacidade e observancia mosaica.
O texto fala de Cristo e só de Cristo, como sempre!
O diabo não é onipresente, sendo assim, ele não esta no texto.

jueves, 18 de junio de 2009

Ontologia do capeta

Atualmente estou lendo os Evangelhos. Eles são uma das minhas partes favoritas da Biblia. Ler as palavras e conhecer o agir de Jesus é realmente fascinante e cheio de surpresas a cada vez que leio os Evangelhos.
Quando observo o proceder de Jesus no tempo que esteve aqui na terra, vejo que seu agir foi, no geral, positivo; ativo. Com "positivo" quero dizer que ele começou fazendo uma coisa e não atacando outra. Seu ministério começou com o pedido de arrependimento, pois o Reino dos Céus tinha se aproximado. O ministerio do Mestre centralizou-se no kerigma, isto é a proclamação do Reino e em se mostrar aos seus como a concretização das promessas do Antigo Testamento. Ele é chamado mais vezes de Mestre do que profeta ou qualquer outro substantivo que possamos conhecer hoje dentro do evangeliqueis.
Mas o que mais me chama a atenção é que ele é um rei de um Reino que não peleja nenhuma guerra, que não briga com o diabo nem faz batalha espiritual nenhuma para que seu reino se fortaleza. O Reino está aí, veio, se mostra, como um grão de mostarda, como uma pérola de grande preço, como um Reino de paz. A unica "luta" se pudessemos chama-la de tal, é contra os próprios fariseus, contra os impulsos naturais e hipocritas que se opõem à vontade de Deus. Isso é o que ele combate!. O Evangelho de Mateus tudinho é uma bofetada contra os judeus e seu sistema religioso falido. A luta parece ser contra o próprio homem natural e não contra "as forças diabolicas operantes" como é comúm hoje. Antes de "amarrar" o diabo, parece que devemos amarrar nossos impulsos pecaminosos e neutralizar toda influencia que possa interferir no nosso novo estado de regeneração.
A ontologia do capeta parece se disipar a cada dia que avanço na minha leitura devocional!. Estou "em busca do capeta" com muito afinco...rs.
Mas graças a Deus que a batalha esta garantida, justamente porque não somos nós que pelejamos e porque, de fato, não há dita batalha entre Deus e Satã; o único conflito bélico parece ocorrer no campo do nosso ser. Se a alguém devemos vencer é a nós mesmos.
Mergulhar-me-ei no grego para ver se assim encontro algum resquício satanico que me confirme alguma coisa.