sábado, 23 de abril de 2011

Rebelião cibernética


Os frios dias do fim do mundo me traem sempre à memória os fatos de outrora. Não do outrora ‘imediato’, senão do distante, remoto.

Dias em que não tinha note, nem internet; onde passava dias inteiros lendo livros de diferentes índoles. Era tão proveitoso esse tempo, onde a caneta e o papel eram meus únicos instrumentos, embora o frio dificultava (e dificulta) minha grafia. Confesso que tinha esquecido da minha letra!. Como isso tornou-se possível?

A internet, a pesar de ser muito boa, rouba-me horas e horas de precioso tempo que poderia dedicar à leitura, oração, escrita, estudo, família etc. Por isso, hoje de manha, depois de revisar meu mail, facebook, twitter, Orkut, blog, ler jornal chileno e brasileiro, ler blogs interessantes (caramba! Quanta coisa!), desliguei e voltei para meus antigos e sempre vigentes amigos.

Confesso que faz tempo venho sentido saudade de ler, de me dedicar a isso em lugar de ficar horas e horas no note; que por sinal me dá dor de cabeça. Então voltei de cheio para o que estou lendo, embora não seja uma leitura muito romântica para eu voltar (leio ‘Etica Protestante e o espírito capitalista’ Max Weber), penso que é um bom passo. De igual forma volto para meu velho violão, com quem já entoei e toquei as canções mais tristes e também as mais alegres.

Desde hoje só serei uma internauta matutina, reservada, moderada e com restrições.

Good luck!

jueves, 21 de abril de 2011

Apologia generacional (o tempora, o mores)

Acabei de assistir um episodio dos Simpson, como todos os días; mas este foi muito singular. Homer e Marge contaram aos seus filhos uma escura historia das suas vidas, onde Marge vai à Universidade e se apaixona por seu professor de historia, enquanto Homer trabalhava para pagar seus estudos. Tudo acontece na época dos 90’.

Quando Homer descobre que Marge tem um caso com o culto professor, submerge-se numa depressão rebelde e cria uma banda de grunge, parodiando a Nirvana (muito engraçada porque Lenny imita a Krist Novoselic, contrabaixista da banda). Tudo o episodio me trouxe gratas ( e nem tanto) lembranças da minha adolescência. Naquele tempo eu não era crista, ou pelo menos estava ‘desviada’, assim que pude viver com maior “facilidade” (por usar um termo) tuda a mudança generacional da minha época.

No principio dos 90’ o Chile já havia recuperado a democracia, assim que a geração anterior nos entregou o país livre e pronto; aberto para fazer e experimentar as mudanças da “liberdade”. A luta parecia não ser mais contra o sistema, contra a ditadura (tenho meus prol e contras acerca dela); senão que se tornava uma luta interna: éramos uma geração sem luta, sem muito senso social. Os punks e hippies de outrora já não existiam, e alguns relutantes ainda gritavam com voz disfonica.

Nossa luta não se dava na rua, mas na mente; era algo mais intelectual, existencialista; vivíamos a filosofia do “nevermind”, como também da angustia existencial sartreana; ao que depois se sumaria os sons desgarradores do brit pop de Radiohead. Tudo isto tentávamos afogá-lo com estímulos sólidos e líquidos; etéreos e musicais. Também tive uma banda de punk, onde cada nota era um grito desesperado de uma vida absurda, sem esperança e sem Deus.

A pesar de ter vivido nesta época em que a internet era algo novo ( o filme ‘Definitely, maybe’ o retrata muito bem) e os celulares grandes, adoro minha geração. Admiro os 70’ e 80’ por sua riqueza musical; mas me encanta ter vivido a adolescência nos 90’. Sempre solemos dizer que nossa época é a melhor; e sim, é, porque nela vivemos intensamente, e porque fizemos parte (e fazemos) da historia que nos tocou viver.

miércoles, 6 de abril de 2011

Surpresa!


Hoje fui convidada a visitar uma igreja. Tinha sido convidada antes, mas não havia ido por ser uma igreja com uma linha teológica que não comparto muito; a Igreja Pentecostal de Chile. Contudo, venci meus tontos preconceitos e fui. Confesso entrei à defensiva, devido as reservas que tenho com o estilo deles; mas entrei.

Chegamos, orei a Deus e começamos o culto. A liturgia iniciou-se com dos cânticos do hinário (com uma letra muito coerente, como a maioria deles - acaso todos). Logo dos cânticos, oramos; tudo numa absoluta reverencia. A oração foi de uns 5 minutos de joelhos. Quando nos levantamos cantamos mais um hino e passaram para os avisos, período no qual fomos saudadas como visitas, e recebemos expressões de carinho por estar entre eles; a maioria pessoas adultas e da terceira idade.

Eu esperava ansiosa o momento da mensagem, que é o momento mais importante para mim, e supresivamente para eles também, pois o tempo que lhe dedicam é notoriamente superior a todas as outras partes do culto, incluso o louvor.

Quem pregou foi o pastor, quem falava e modulava muito bem. Leu o texto de João 16.16-24 e falou do sofrimento de Cristo no calvário, fazendo alusão ao mês de abril que começa, no qual se celebra a morte e ressurreição de Cristo. O pastor sabia do que estava falando, pregou melhor que muitos pastores que conheço que fizeram seminários, embora não sei se o pastor pentecostal fez.

A mensagem, para minha surpresa, foi dentro da homiletica e totalmente bíblico e cristocentrico. Não lembro de quando não ouvia uma mensagem com essas características, esvaziada completamente de antropocentrismos, psicologia, modernismo e neopentecostalismo. A mensagem foi mais reformada que em muitas igrejas que levam o nome de Presbiterianas! ( com ou sem adereço). O culto foi tão ordenado, simples, tão ‘racional’ que qualquer presbiteriano, calvinista , ortodoxo, neo-ortodoxo teria se sentido à vontade dentro dele. As musica totalmente cristocentricas, sem o típico ‘eu, eu, eu’, ‘me dá, me dá, me dá’ que tem se inserido nas nossas igrejas.

Hoje me levei uma surpresa. A visita pentecostal quebrou meus preconceitos e me deu uma cacetada no rosto. E o mais importante; apresentei um culto agradável ao Senhor.