sábado, 31 de octubre de 2009

O grande erro


Tenho 26 anos. 1/5 da minha vida a vivi fora do abrigo de tudo o que um dia foi meu. Longe das ruas que me viram brincar. Confesso que estes anos fora da minha pátria foram uns dos melhores anos da minha vida. Posso dizer que quando realmente comecei a viver como adulta, foi nesta terra longuinqua e calorosa.
Foi nestes paralelos e meridianos que concretizei minhas bases, que são as que determinarão meu desenvolvimento no futuro. Minhas principais convições foram criadas aqui. A grande maioria das pessoas que moram no meu coração falam português.
Contudo, dentro de um mês deixarei esta terra que viu meus risos e lágrimas de incipiente adulta, mas esta vez é para sempre, ou pelo menos por um futuro relativamente duradouro. Ao fazer uma retrospetiva destes cinco anos, não poderia deixar de relembrar alguns notáveis ensinamentos.
Aprendi que o ser humano é o mesmo aqui e acolá. Podemos ter diferente idioma, cor, cultura; mas se olhas com paciência e atenção verás que são tudinhos iguais, cheios de medos, sonhos, esperanças, anseios, frustrações várias, amorosos, violentos, mortais, humanos, demasiado humanos como diria o filósofo.
Aprendi que ninguém é tão sábio que não tenha o que aprender, e ninguém tão ignorante que não tenha nada a ensinar. Aprendi com o sábio a quere ser sábia, aprendi com o tolo a não ser tola.
Vi também que nem tudo é teoria, que ela é apenas uma parte, que a vida se concretiza na realização da teoria e da prática. Ambas são importantes. Se não temos teoria, o quê colocaremos em prática? Se não temos prática, como poderemos conhecer empiricamente nossa teoria? O empirismo é também uma forma de conhecimento.
Aprendi que o sol é o mesmo, ainda sendo visto em diferentes lugares do mundo. Que posso ver uma mesma verdade desde angulos diferentes, e nem por isso a beleza do sol diminui.
Experimetei o carpe diem ao máximo. Desfrutei cada minuto com as pessoas que amo, mas poderia ter amado ainda mais pessoas, se não tivesse a tendencia de analisar as coisas ao extremo. Vivi ao máximo a felicidade no seu momento, e deixei que meu coração se rompesse por completo na desgraça. Ri com intensidade e chorei em forma desesperada, exprimindo cada sorriso e lágrima para aproveitar ao máximo o presente, quer seja bom, quer seja ruim. Como diria alguém,"bebi com canudinho cada gota do leite derramado".
Viajei! Conheci lindas paragens totalmente diferentes da geografia outrora familiar. Meu corpo mergulhou-se nas cálidas águas do Atlántico, empapou-se também com as imaculadas gotas de uns dos patrimonios da humanidade. Vi diferentes fisonomias a medida que a viagem transcorria. Uns dos antigos e verdadeiros donos da América Latina-os terenas- me hospedaram com uma gentileza que não esquecerei, me ensinando a riqueza das nossas raízes e idiossincrásia. Conhecí pessoas nobres que me tenderam uma mão amiga quando mais precisava, e sem sequer pedir auxilio. Vi a mão de Deus trabalhando a traves deles de maneira magnifica e amorosa.
Amei e odiei. Ri e chorei. Fui e voltei. Mas um erro eu cometí: não diz o que deveria dizer. Talves se houvesse tido a coragem de arriscar e errar, minha vida seria diferente. Não sei como seria, talves diferente, talves igual, não sei... e lamentavelmente nunca saberei. Parece que meu erro foi não querer errar, tentar ser perfeita, reta demais, justa demais. Todos esses são meus padrões de vida, e em certa medida não me arrependo por tê-los colocado em prática na maioria dos momentos, apenas tenho a constante tentação de pensar como seria se houvesse errado mais. Nunca o saberei, todo pensamento é apenas uma hipótesis.
Em fim, estou fazendo minha mala e guardando todos os grandes ensinamentos e experiências que adquiri nestes anos para levá-los comigo até o fim do mundo, onde as ruas tem poesia, e o ar um gosto de mar lánguido e melancólico, onde me encontrarei com tudo o que um dia fui e não sou mais. Encontrar-me-ei com o alicerce da minha vida, com os jogos de criança, com os amigos de infancia, com historias esquecidas, com becos olvidados. Ao me deparar com isso, sempre terei do meu lado e dentro de mim a "bagagem brasileira", a mala cheia de experiências e amores vários que nunca esquecerei. Filos, eros, ágape; todos estão dentro de mim de forma especial.
Ao fechar minha mala levo tudo comigo, e deixo aqui o som do meu sorrir, meu silencio, meus passos e minha voz. De agora em diante tentarei errar menos, admitindo que sim posso errar.

sábado, 3 de octubre de 2009

Pecado e correção


"Porque o Senhor corrige a todo o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho". (Hb. 12:6)


Durante muito tempo-acasso sempre-tenho me garantido. Minha soberba tem me garantido. Confesso que sempre me dei bem, sem erros nem pecados aparentes. Parecia que meu caráter, minha educação, meus padrões de vida aprendidos desde criança me ajudavam a ser uma pessoas exemplar, à qual todos admiravam e elogiavam. Isso foi cauterizando minha mente e a percepção de mi mesma de tal maneira que pouco conseguia me enxergar. Contudo, como boa presbiteriana, sabia e reconhecia minha natureza pecadora, mas este reconhecimento era quase um reconhecimento da teologia da libertação:pareciam pecados sociais, por atacado, mas não uma coisa individual, pessoal; parecia que nada me atingia. Tudo dava certo para mim, e em certa medida me achava especial, queridinha de Deus. Passei assim bastante tempo, me garantindo e tendo reconheciemnto de todas as pessoas que me rodeavam.
Mas, como boa presbiteriana, creio que Deus permite até nossos pecados para ensinar-nos alguma coisa. Eu tenho aprendido. Eu tenho pecado.Confesso que tenho pecado em algo que jamais pensei que poderia cair. Durante muito tempo me achei forte demais, capaz, por cima das coisas, inatingível, reta; tanto para agir como para exigir dos outros. Sabi que Deus não tinha nada mau que dizer a meu respeito; parecia que tinha algum credito no céu, embora na minha mente tenha clara a doutrina da justificação.
Fui fariseia, confesso. Durante muito tempo fui o que sempre odiei, e só agora consigo enxergar verdadeiramente minha fraqueza, debilidade, pobreza, pecado e podridão. Posso concordar com Nietzche no titulo do seu livro “Humano, demansiado humano”, pois de nada vale querer aparetar ser reto, inatingúvel, justo na nossa justiça. Em um dia de jejum e oração Deus me corrigiu pela sua Palavra. Jamais o tinha feito assim tão duramente. Pude sentir o zelo e a ira de Deus sobre minhas ações. Fui fortemente corrigida e exortada. Nesse momento pude var varias coisas: o choro da minha mãe, minha vergonha publica, a frustração de todos meus planos, a vergonha que provoquei ao Reino de Deus.
Nunca havia tido esta sensação no meu coração. Um malestar e um verdadeiro arrependimento e culpa. Sempre pedi a Deus para poder sentir culpa pelos meus erros, pois antes nunca havia sentido culpa, apenas um pensamento de culpa, mas nunca um sentimento de culpa. E Deus hoje me corrigiu e culpou.
Mas, a pesar de ouvir e sentir as duras palavras de Deus, pude sentir que sua correção era amorosa, promovida pelo amor e preocupação, não por uma justiça por justiça. “Deus corrige a quem ama”, e se sou amada sou corregida. Senhor, corrige-me!ama-me!. Preciso do teu amor na mesma medida que preciso tua correção.
Senhor, obrigada por em amar e corregir, por permitir ver minha fragilidade e podridão, minha ausencia de justiça e retidão; minha pecaminosidade implicita e explicita.
Corrige meus erros, perdoa meus pecados e dirige meus passos no teu caminho, pois por mim mesma, meus passos jamais poderiam me dirigir a Ti.