jueves, 31 de marzo de 2011

A auto-guerra


Sempre temos ouvido dizer (sobretudo no ambiente pentecostal) que nossa luta é contra demônios, principados das regiões celestes e essas coisas, que rapidamente nos levam a um dualismo que pouco tem de bíblico e muito de filosofia grega. Para lutar contra o mal não é necessário miles de demônios e setas, senão que basta olhar para nós mesmos e ver a auto-luta constante que temos, ao estar cheios de imperfeições, pecados, ruindade. A lista de Romanos 1 é uma clara radiografia do que é o homem (Rm. 1.29-30): injusto, fornicario, perverso, avaro, mau, cheio de inveja, homicida, enganador e uma serie de perversidades que formam o coração humano.

Isto não é algo novo, pois lendo a Bíblia no meu devocional diário ( o quase diario, em honra à verdade) no livro dos Salmos notei algo novo e especial. Ontem foi a vez do Salmo 19, que –confesso- nunca tinha parado para meditar nele. O homem segundo o coração de Deus já dizia muito antes de Paulo como estava constituído o homem; sabia que ‘em pecado foi concebido’ (Sl. 51:5). Podemos observar mais profundamente este tema no Salmo 19:12-14, onde nos ensina a verdade de que

O pior demônio que devemos enfrentar está dentro de cada um

O texto nos mostra alguns vícios humanos, entre eles

1) A autocomplacência (v.12)

Se há algo que a gente nunca faria é julgar a nós mesmos. Acreditamos que somos perfeitos, que não erramos, e é muito difícil colocar a outra face ou admitir erros na vida. Temos como máxima ‘a seita sempre é a do outro’, e nós ortodoxos, e isto nos leva a não ter um relacionamento frutífero, e honrar a Deus neles. Uma das coisas mais dificies para o ser humano é admitir seus erros e pedir o perdão correspondente; seja culpável ou não.

E o salmista sabia disto. Sabia que na sua mente escurecida pelo pecado, julgava-se reto, mais ao mesmo tempo reconhecia que era assim. Sabia que era autocomplacente, e por isso pede ajuda ao Eterno.

‘livra-me dos (erros) ocultos’

O primeiro passo que o salmista nos ensina para não ser autocomplacentes é que devemos

a) Reconhecer que somos maus

O primeiro que ele começa admitindo é que as pessoas erram. Inclusive o mais notável dos reis de Israel, o homem segundo o coração de Deus se equivoca. Ele admite que não pode entender seus erros, porque para ele tudo parece correto, mas ainda assim sabe que erra. Reconhece sua maldade.

b) Ora por ajuda

‘Livra-me dos que me são ocultos’ é a oração de Davi. Há coisas que ele não via e há coisa que também nós não vemos, mas sabemos e reconhecemos que estão ali. Contra eles pouco podemos fazer porque estão ocultos a nossos olhos. Porem não estão ocultos aos olhos de Deus, é por isso que ele implora ao Eterno que o livre dos ocultos.

Da mesma forma devemos orar: livra-nos Senhor dos nossos erros, de agir em forma errada, livra-me da inveja, pleitos, iras, orgulho, etc. Livra-me!

2). Somos soberbos (v.13)

Tal como menciona Pablo em Romanos, Davi muitíssimo tempo antes, também conhecia quão soberbo é o ser humano. O salmista pede para ser mantido distante da soberba, porque sabe que ela corrompe o coração, distancia às pessoas e não glorifica a Deus. Ele implora para se manter longe e que ela não tome conta do seu coração.

Da mesma forma que Davi reconhece que o ser humano é soberbo, nós também devemos reconhecer nossa soberba, pois só reconhecendo-a é que Deus nos ajuda a vencê-la. Um dependente das drogas jamais as deixará até que não reconheça sua dependência; da mesma forma acontece com a soberba e o orgulho.

Deus, livra-nos da soberba e enche-nos de humildade. Ensina-nos a reconhecer nossos erros e a ser humildes.

Conclusão

O versículo 13 e 14 concluem dizendo que só sem autocomplacência e soberba podemos ser íntegros e não rebeldes.

Somente reconhecendo nossos erros ( e nao se orgulhando deles –‘sou assim e assim morrerei’), nossos ditos serão agradáveis diante de Jeová. Só assim nossa mente terá pensamentos de paz, nosso coração não terá imundícias.

Jeová, nosso redentor, é o que conhece nosso coração e é o único que nos pode ajudar a lutar contra nós mesmos. Antes de lutar contra demônios, vença sua autocomplacência e soberba, e mantenha uma atitude integra diante de Deus e dos homens. Esta é a única forma de exaltar e engrandecer a Deus diante do mundo, dando um bom testemunho.

Não seja autocomplacente

Não seja soberbo

Seja integro diante de Deus.

Ajude-nos Jesus.

Amém.

lunes, 21 de marzo de 2011

Onde e quando

Disse-lhe Jesus: Mulher; crême que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai (João 4:21)

Ao som de ‘Vencedores por Cristo’

Confesso que este é um dos meus textos favoritos do Evangelho, e não só o texto, senão que o Evangelho joanino em si, tenho um relacionamento especial com ele; primeiro porque foi o texto que usei para fazer a primeira pregação na igreja, quando ainda não tinha estudos teológicos. E este mesmo texto foi utilizado para fazer meu primeiro sermão de prova no Seminário. Encanta-me este texto porque se pode observar a um Jesus sociável, mas não extrovertido, mestre, mas não demagogo nem sofista. Um Jesus metafórico, mas sincero ao mesmo tempo. Por isto a multidão que o escutava no monte (Mt. 7:29) concluiu que ele ‘os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas’

E é nesta mesma autoridade natural, simples, admirável que me faz refletir acerca de algumas questões importantes que o texto nos traz para nossos dias.

Conhecemos a historia dos samaritanos e judeus, porque inclusive o mesmo versículo 9 nos informa que os judeus não se comunicam com os samaritanos, devido aos problemas pos-exilicos que tiveram, já que os samaritanos surgiram da ‘mistura’ judia com os outros povos; pratica sumamente rejeitada pelo judaísmo. Outro fator importante aqui é que na época de Jesus era sumamente indecente que um homem falasse com uma mulher na rua,e sabendo a reputação que ela tinha, já poderão imaginar o escândalo que Jesus estava provocando num espaço publico, a plena luz do dia ( a hora sexta correspondia ao meio dia). Escandaliza inclusive a seus discípulos, mas eles calam. Calam porque sabem que o mestre é, de fato ‘o mestre’, que não erra, que quebra sempre os paradigmas, e com cada ato ensina uma verdade sublime, e revela algo mais sobre o Reino. Pois bem, primeiramente ensina que a verdade libertadora de Jesus derribas as barreiras, como as que eles tinham com os samaritanos.

A mulher tinha uma esperança, igual que os judeus, que era a vinda do Messias, que declararia todas as coisas. Porem, a samaritana tinha algumas duvidas, pois ela junto a seu povo adoravam em Gerizim, e os judeus em Jerusalém. Lembremos que os montes e os lugares sagrados têm muita importância para eles, pois ali se produz o ‘shekinah’. ‘Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar’ (v.20). Ela não sabia qual era o lugar verdadeiro para a adoração a Deus, mas Jesus vem a esclarecer suas duvidas. O verso 21 diz ‘mulher, crême que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorarei o Pai’. Jesus começa ensinando que dentro de pouco não estarão adorando nem aqui nem ali. O lugar físico não seria relevante para a adoração; não é Gerizim nem Jerusalém; ‘mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem’ (v.23). Jesus está abolindo completamente os lugares sagrados, e os está substituindo por um estado: ‘em espírito e em verdade’. E bem sabemos que Deus é Espírito e Cristo é a Verdade e a Vida. Desta forma, Cristo está substituindo um lugar por uma pessoa.

É só por meio de Cristo que a adoração é verdadeira. A adoração não está determinada por um espaço físico; não é num lugar, é a traves dEle. Não há outro meio, não há lugares sagrados; se Cristo está em mim, será um ‘aqui e agora’ permanente; aqui é o lugar e agora é a hora. Porem esta verdade libertadora tem sido esquecida pelo sistema eclesiástico atual. Hoje se confunde igreja com Reino de Deus; se acredita que ‘estar fora da igreja’ (como instituição, e pior ainda, como denominação) é estar fora da Igreja e do Reino.

O que mais me incomoda e indigna é que isto é ensinado aos fieis. Faltar ao culto é quase um pecado, é dar um passo atrás do Reino, é um ponto negativo na vida espiritual. Mas ao meditar nas Sagradas Escrituras tenho paz e sossego. Saber que posso adorar em espírito e em verdade me deixa tão feliz, me faz sentir tão próxima de Cristo, tão tranqüila ao saber que Ele me conduz a uma adoração verdadeira, onde o próprio Deus vê a presença de seu Filho na minha vida, sua redenção e justificação me mostram como santa perante Ele; e isso é viver em paz.